terça-feira, 6 de julho de 2010

Museu de artesanato sem telefone há uma semana

"Problemas" na linha deixam Museu incontactável.

Desde sexta feira que quem tente ligar para o Museu de artesanato, Centro de artes tradicionais de Évora, para obter alguma informação ou resolver qualquer dúvida dá com uma linha cortada. O Museu de artesanato de Évora, que custou ao contribuinte um milhão e duzentos mil euros em restauro, há pouco mais de dois anos, definha assim de dia para dia, num emaranhado de situações inexplicáveis que aceleram o seu (nas palavras da Câmara Municipal de Évora e do Turismo do Alentejo) aparente "fracasso".

Numa altura do ano em que o fluxo de turismo em Évora é considerável o Turismo do Alentejo e a Câmara Municipal de Évora marcam mais um ponto no interesse que demonstram pela "defesa" da promoção da Arte popular e da Cultura da região Alentejo. Este será um problema que o privado a quem o Museu vai ser oferecido não terá de enfrentar porque tem já garantidas todas as despesas incluso com telefones e demais comunicações até à "sustentabilidade" do Museu Privado de Design,que já a partir do próximo dia 10 de Julho substituirá o Centro de artes tradicionais Museu de Artesanato de Évora.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

As Forças negras e o Museu de artesanato

Resposta a entrevista do Sr Presidente da Câmara Municipal de Évora Dr José Ernesto Oliveira

No passado dia 23 de Junho em entrevista na edição do Semanário Registo o Presidente da Câmara de Évora, Dr José Ernesto Oliveira, classificava – sem referir nomes – o Movimento de Defesa do Museu de Artesanato de “Forças negras”. Afinal o Museu de Artesanato não vai ser substituído, afirmou o Presidente.
Nunca foi intenção chamar-lhe “Museu de Design de Évora – Colecção Paulo Parra” (conforme estava na Proposta de Protocolo aprovada em reunião de Câmara 25 Março 2010), mas sim “Museu do Design e Artesanato”. As “Forças negras” estavam carecas de saber isso e “aquilo” (entenda-se o Museu de Artesanato) até vai beneficiar com isso. Afinal “quantos anos tem a colecção que lá está exposta?”. Coisas velhas portanto. Precisamos é delas modernas e reluzentes…
Também, segundo as palavras da sua vereadora da cultura Cláudia Pereira, “isso só pode valorizar o espaço e o espólio que um suposto grupo de amigos deste museu que agora aparece, nunca conseguiu valorizar”(*).
Para desinformação estamos falados. Também há quem lhe chame “navegar à vista”, conforme – neste caso – a contestação pública.
O aparente “fracasso” do Museu de artesanato – que pertence ao Turismo do Alentejo -a nós se deveu. Afinal o Centro de artes tradicionais, Museu de artesanato que “É para fechar…”; “vai ser Museu conjunto…”; “Poderá ser itinerante…” também terá parte da culpa porque “Não é auto sustentável”… Porventura o único no país que terá essa obrigação. Mas também quem o manda não ser moderno e reluzente?...
Não havia dinheiro sequer para a sua promoção e divulgação e mau grado o seu carácter Regional, o Turismo do Alentejo não encontrou aparentemente ninguém no Distrito capaz de sua gestão e deste milhão e duzentos mil euros nele empregues em recuperação há dois anos apenas. Nem câmaras municipais, nem juntas de freguesia, nem associações de artesãos, nada…
Ainda agora esteve fechado quinze dias, pois a licenciada a contrato a prazo, que tanto varre o chão, vende bilhetes, organiza exposições e faz visitas guiadas, teve uns dias de férias, e o Turismo do Alentejo não tinha ninguem para a substituir…
A única solução para o Museu foi mesmo um privado com uma colecção privada, “colega” da srª vereadora na Universidade, mas que ela “nem conhecia”. Perguntarão: um privado com uma boa ideia submetida a concurso público, correcto?... Nem por isso.
Tem esta colecção de Design industrial algo a ver com a nossa cultura, a nossa região, as nossas tradições?... Não. Tem este privado algum mérito reconhecido, intervenção pública, é benemérito de alguma coisa pelo bem público praticado ou afim?... Nicles.
Então nós, contribuintes, vamos oferecer a este privado um Museu, que acabámos de pagar e custou um balúrdio e é um repositório da nossa história, tradição e cultura porque... sim?!... Parece que sim.
E vamos pagar-lhe esse novo Museu de Design, que vai ter custos fixos pelo menos ao triplo do actual, porque... sim?!... Parece que vamos.
E pelo caminho temos de tornar o acervo histórico de Artesanato do Alentejo necessáriamente parte do Design deste senhor?... É o que parece. Mas menos mal… Quando o tal protocolo foi a votos nem isso lá vinha acautelado… Ainda bem que ele não coleciona borboletas…
Felizmente que o Museu de Design deste conhecido desconhecido do Sr. Presidente e da Srª vereadora não vai ser público como o de Artesanato. Vai ser privado. E já sabemos também que não vai ter problemas de divulgação, falta de pessoal, escassez de verbas ou outros que tais porque para esse estão já garantidas todas as despesas pagas pela Câmara e pelo Turismo do Alentejo (sim… os mesmos que não têm dinheiro sequer para uma substituta de férias) - incluso com aumento de pessoal - até à sua “sustentabilidade financeira” surja ela quando surgir… Nas palavras da Srª vereadora “dado o empenho do colecionador será muito em breve concerteza”…
De facto nunca nos insurgimos contra o Museu de Design e sua instalação em qualquer outro (dos muitos) espaço devoluto da cidade, (como aliás ainda há pouco uma prestigiada galeria internacional o fez) o problema é que este “coleccionador professor da Universidade local, que não deve ter pesadelos nem pesos na consciência pelos estragos que provoca, vendeu a ideia da cidade vir a ser um “centro internacional” do design… começando logo a abrir caminho pisando aqui e ali, fazendo isto resvalar para o ridículo nacional”(**) e quem devia ter a obrigação de actuar com bom senso – o Sr. Presidente da Câmara – parece estar mais preocupado em identificar Forças Negras, que em dar ouvidos ao povo que o elege. E vai daí trata logo de desclassificar e insultar as pessoas que tenham a opinião divergente da sua.
Interesse público?... O Museu de Artesanato custou um dinheirão ao contribuinte. O Turismo do Alentejo não investe no Museu e ele “fracassa”. É oferecido à Câmara e esta atira-o pela janela, por acaso na exacta altura em que um conhecido desconhecido vai a passar, que o apanha e mete ao bolso...
Daqui de onde estou, as únicas Nuvens negras que vejo são as que pairam por cima de toda esta história…

(*) in Caféportugal.net 8 junho 2010
(**)Palminha da Silva in A defesa 19 Maio de 2010

Tiago Cabeça (artesão)
In Semanario Registo 1 Julho 2010

http://www.registo.com.pt/

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Presidente da Câmara Municipal de Évora Chama "Forças negras" ao Movimento Defesa Museu artesanato

No passado dia 23 de Junho em entrevista na edição do Semanário Registo o Presidente da Câmara de Évora, Dr José Ernesto Oliveira, classificou – sem referir nomes – o Movimento de Defesa do Museu de Artesanato de “Forças negras”. Afinal o Museu de Artesanato não vai ser substituído, afirmou o Presidente, mas sim "transformado num Museu de Design e Artesanato". Aparentemente para José Ernesto nunca foi intenção chamar-lhe “Museu de Design de Évora – Colecção Paulo Parra” (conforme estava na Proposta de Protocolo aprovada em reunião de Câmara 25 Março 2010), mas sim “Museu do Design e Artesanato”. Essas "Forças negras" sabiam disso mesmo.

Edição Semanario Registo 24 Junho 2010
Página 12 a 14

Entrevista completa em:
http://www.registo.com.pt/

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Resposta a entrevista de Antonio Dieb

Por Tiago Cabeça

No seguimento da entrevista do vereador Antonio Dieb no passado dia 10 de junho ao Registo, onde este autarca reflecte sobre a possível “solução” para o Centro de artes tradicionais, Museu de artesanato de Évora, manifesto a minha preocupação e constrangimento pela incoerência e confusão que o assunto parece estar a provocar junto dos responsáveis que votaram favoravelmente o protocolo celebrado entre a Câmara de Évora, o Turismo do Alentejo e o Coleccionador Paulo Parra.
De facto em entrevista a uma rádio de Évora a própria vereadora da Cultura, antes da divulgação pública do referido protocolo, assegurava que a intenção da Câmara era promover um museu conjunto Artesanato/Design. Aparentemente a razão da partilha prendia-se com a escassa visibilidade pública do Centro de artes tradicionais e sua actual insustentabilidade financeira. Nesta lógica entregar um Museu Público, pago pelo contribuinte, a um privado apresentava-se à CME e ao Turismo do Alentejo como uma solução que permitiria, aparentemente, “inserir Évora nos roteiros internacionais do Design” e poupar recursos.
Esse protocolo veio a tornar-se público e nas suas seis páginas, constatámos, não havia uma única referência ao Centro de artes tradicionais Museu de artesanato. Não só isso como a Câmara e o Turismo do Alentejo comprometiam-se a assegurar toda a “sustentabilidade financeira” do Museu privado de Design sine diem. Incluso prevendo a duplicação dos postos de trabalho e demais eventuais despesas. Verificou-se portanto que, a Srª Vereadora e demais instituições, ou desconheciam o que estavam a defender ou, pior, mentiam.
Nesta altura vem em entrevista do Sr Vereador Antonio Dieb, que aparentemente votou também favoravelmente este protocolo, afinal admitir que tinha conhecimento que o Museu, pelo Turismo do Alentejo não tinha sido "devidamente dinamizado, resultou num falhanço, a Entidade Regional de Turismo considera que não é a sua vocação, nem tem competências para o gerir, e tenciona fechar aquele espaço e tornar o Museu de Artesanato uma espécie de museu itinerante por toda a região."
Portanto temos que por parte da CME: o Museu vai ser conjunto; por parte do Turismo do Alentejo: fecha-se ou torna-se itinerante (?!...) e por parte do vereador Antonio Dieb que o Turismo do Alentejo foi incompetente sequer para o promover.
Este autarca, que assegura na reunião de Câmara onde isso foi votado, foi "o único (e as actas estão aí para prová-lo) a dizer que teria que ser encontrada uma solução" infelizmente não se lembrou de assegurar isso mesmo no protocolo votado. Mas com esta declaração ainda nos confunde mais: se o Turismo do Alentejo não tem competência para promover o Museu então… fechamo-lo?... Nessa lógica se um Director, por exemplo, de hospital for incompetente fecha-se o Hospital?... Na mesma lógica uma escola?... Uma Câmara?... Então o “problema” do Museu é mesmo do Museu ou de quem o gere?... Ou é só pressa de entregar o Museu a um privado?... Mas então se há mesmo que o entregar a um privado porquê a esse?... Certamente haverá mais… Com despesas pagas “até à sustentabilidade do projecto” certamente haverá mais quem se interesse e surja com ideias. Eu posso propor pelo menos meia dúzia de pessoas. Poderá até surgir algum privado que apresente um projecto de… Museu de Artesanato… Porque não?
Tenho de lamentar a leveza com que se está a decidir deitar para o lixo parte da nossa história, do legado de nossos pais e avós, da nossa cultura, de quem somos. Um povo que cospe na sua história é um povo sem futuro.



Carta na edição do Semanário Registo 17 Junho 2010
Pág: 2 Cartas ao Director



http://www.registo.com.pt/

Museu Artesanato fechou duas semanas

Por falta de pessoal

Entre os passados dias 3 e 15 de Junho, por falta de pessoal, o Museu de Artesanato Centro de artes tradicionais esteve fechado ao público.

Sabemos que a funcionária de serviço - uma licenciada contratada a prazo, que tanto está na bilheteira, como varre o chão, organiza as exposições ou faz visitas guiadas a grupos de turistas - esteve de férias entre essas datas e na Entidade Turismo do Alentejo não houve quem a substituísse nesse período.

Fazemos votos para que os dois novos funcionários a contratar - que o Turismo do Alentejo e a Câmara de Évora se propõem a pagar para o Museu privado do Design de Paulo Parra - possam ser revezados nas férias.

sábado, 12 de junho de 2010

Entrevista de António Dieb

Vereador do PSD na Câmara Municipal de Évora

Numa entrevista onde o vereador do PSD afirma que foi "o único (e as actas estão aí para prová-lo) a dizer que teria que ser encontrada uma solução" o autarca, que votou favoravelmente o protocolo em que "...A entidade do Turismo iria fechar o Museu de Artesanato..." não refere que tenha explicitamente deixado no texto desse documento essa preocupação. Confessando que o problema do Museu foi não ter sido "devidamente dinamizado, resultou num falhanço, a Entidade Regional de Turismo considera que não é a sua vocação, nem tem competências para o gerir, e tenciona fechar aquele espaço e tornar o Museu de Artesanato uma espécie de museu itinerante por toda a região."
Sobre as manifestações cívicas em defesa do Museu António Dieb considera ainda que "os cidadãos têm que se bater por aquilo que são os seus interesses,... através da participação cívica", mas, "Não é só dizer: o Museu é muito bom, não se pode acabar com ele."


Semanário Registo (pág: 12), 10 Junho 2010