Três meses e meio volvidos após a aprovação camarária do Protocolo de criação do Museu de Design-Colecção Paulo Parra, e perante o evidente desagrado de muitos sectores da vida social da Cidade, o assunto voltou à reunião do executivo municipal. Tratou-se agora de aprovar uma segunda versão do dito Protocolo, na qual foram introduzidas duas alterações : o Museu muda de nome, e passa a chamar-se Museu de Artesanato e Design, e a respectiva Direcção passa a ser designada pela CME, pela Turismo do Alentejo, e pelo coleccionador Paulo Parra, quando na versão anterior era da exclusiva responsabilidade do coleccionador. Como diria o Principe Salina, é preciso que alguma coisa mude para que tudo fique na mesma !
Estas alterações de pormenor, que estavam cozinhadas desde Maio passado, aguardaram o início das férias para ser dadas a conhecer, procurando dar um aspecto mais aceitável a um projecto de entrega a um privado de um bem valioso – o antigo Celeiro Comum, e o financiamento público – sendo que o projecto privado do tal Museu de Design continuará a ser financiado por dinheiros públicos até que se revele sustentável, o que, convenhamos, não se afigura nada fácil.
Tinhamos chamado a atenção, em escrito anterior, para o prolongado silêncio da Comissão Municipal de Arte, Arqueologia, e Defesa do Património. Esta importante e prestigiosa entidade, que deveria reunir todos os meses para se pronunciar sobre os aspectos mais im- portantes da defesa do património da nossa Cidade, estava desde Março sem reunir, e era normalmente atribuída a sua não convocação ao incómodo que poderia ser para a maioria PS-PSD que tinha votado o Protocolo com o coleccionador Paulo Parra a apreciação isenta desse projecto pelas vozes autorizadas dos membros da Comissão.
E assim foi. Convocada para o dia anterior ao da deliberação camarária sobre a segunda versão do Protocolo, a Comissão Municipal de Arte, Arqueologia, e Defesa do Património fez uma crítica cerrada e impiedosa do projecto de liquidação do Museu do Artesanato, e tomou conhecimento do parecer negativo que a Direcção Regional da Cultura do Alentejo enviou a este respeito ao Instituto Português de Museus. A presença do coleccionador na reunião não teve qualquer efeito para tornar menos incisivas as críticas dos membros da Comissão.
Depois de mais esta crítica pesada, o que se seguirá neste processo insensato ? Na Quinta-feira,15, reúne a Assembleia Geral da Entidade Regional do Turismo do Alentejo, tendo na sua Agenda a apreciação deste caso. Tudo parece ter sido articulado entre os Presidentes desta organização e da Câmara de Évora, para que na modorra da “silly season” das férias do Verão este assunto incómodo seja fechado, para proveito do coleccionador Paulo Parra, esbanjamento de dinheiros públicos e menosprezo pela cultura e pelos valores identitários da nossa Cidade e do Alentejo.
Mas há ainda há outras pontas soltas, dado que a entidade proprietária do Celeiro Comum ainda não deu o seu acordo para a mudança do contrato de arrendamento, e a entidade gestora do Quadro Comunitário de Apoio não autorizou a mudança de uso dos financiamentos comunitários que foram concedidos para a vultosa recuperação do edifício e instalação do Museu do Artesanato.
O processo ainda não está encerrado.
Eles ainda não conseguiram matar o Museu do Artesanato !
João Andrade Santos in Semanário Registo 15 Julho 2010
www.registo.com.pt
quinta-feira, 15 de julho de 2010
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Aprovação do novo protocolo adiada
A pedido do vereador da CDU na reunião pública de Câmara de hoje, 14 julho 2010
A pedido do vereador da CDU Eduardo Luciano, o ponto da agenda da reunião pública de Câmara, onde se votaria o novo protocolo do Museu de Design - que pretende substituir o Museu de artesanato de Évora - foi retirado em função dos desenvolvimentos ultimos sobre o assunto e na expectativa de mais informação, nomeadamente o parecer final do Instituto Português de Museus e autorização da Direcção Geral do Tesouro e finanças sobre a utilização do espaço do Museu de artesanato para outros fins que não os que foram alvo de subsídios - nacionais e comunitários - de recuperação. Este ponto será porventura agendado para nova reunião.
A pedido do vereador da CDU Eduardo Luciano, o ponto da agenda da reunião pública de Câmara, onde se votaria o novo protocolo do Museu de Design - que pretende substituir o Museu de artesanato de Évora - foi retirado em função dos desenvolvimentos ultimos sobre o assunto e na expectativa de mais informação, nomeadamente o parecer final do Instituto Português de Museus e autorização da Direcção Geral do Tesouro e finanças sobre a utilização do espaço do Museu de artesanato para outros fins que não os que foram alvo de subsídios - nacionais e comunitários - de recuperação. Este ponto será porventura agendado para nova reunião.
Comissão Municipal de Arte, Arqueologia e Património contra processo de substituição do Museu de Artesanato pelo Design
Parecer negativo da Direcção Regional da Cultura do Alentejo enviado ao Instituto Português de Museus
A Comissão Municipal de Arte, Arqueologia, e Defesa do Património, reunida (após três meses sem ser convocada, justamente desde o inicio do processo Museu de Design versus Museu de Artesanato)ontem em Évora fez uma crítica cerrada e impiedosa do projecto de liquidação do Museu do Artesanato. Não só praticamente todos os membros foram bastante criticos para com o projecto e o seu promotor - o Colecionador Paulo Parra presente na reunião - como deram conhecimento em primeira mão do Parecer negativo que a Direcção Regional da Cultura do Alentejo enviou a este respeito ao Instituto Português de Museus. Hoje a partir das quatro da Tarde vai a Reunião Pública de Câmara o "novo" protocolo que pretende acabar com o Museu de artesanato que, debaixo de algumas camadas de verniz para opinião pública ver,sabemos, mantém praticamente tudo na mesma.
A Comissão Municipal de Arte, Arqueologia, e Defesa do Património, reunida (após três meses sem ser convocada, justamente desde o inicio do processo Museu de Design versus Museu de Artesanato)ontem em Évora fez uma crítica cerrada e impiedosa do projecto de liquidação do Museu do Artesanato. Não só praticamente todos os membros foram bastante criticos para com o projecto e o seu promotor - o Colecionador Paulo Parra presente na reunião - como deram conhecimento em primeira mão do Parecer negativo que a Direcção Regional da Cultura do Alentejo enviou a este respeito ao Instituto Português de Museus. Hoje a partir das quatro da Tarde vai a Reunião Pública de Câmara o "novo" protocolo que pretende acabar com o Museu de artesanato que, debaixo de algumas camadas de verniz para opinião pública ver,sabemos, mantém praticamente tudo na mesma.
terça-feira, 13 de julho de 2010
Assembleia Geral Entidade Regional Turismo do Alentejo
Dia 15 Julho de 2010 às 10h no Évorahotel
No Evorahotel terá lugar a Assembleia Geral da Entidade Turismo do Alentejo, onde aparentemente será apresentado o projecto Museológico de Paulo Parra para o que será o "Museu de Design e Artesanato"
No Evorahotel terá lugar a Assembleia Geral da Entidade Turismo do Alentejo, onde aparentemente será apresentado o projecto Museológico de Paulo Parra para o que será o "Museu de Design e Artesanato"
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Museu de Artesanato: novo Protocolo na calha?...
Reunião Publica de Câmara, quarta feira dia 14 Julho 2010, 16h30m
Chegou-nos a noticia que será levado a reunião pública de Câmara, já no próximo dia 14 de Julho quarta feira pelas 14h, o novo protocolo que pretende mudar o destino ao Museu publico de Artesanato de Évora. Aparentemente o anterior, que lhe mudava o nome e finalidade para Museu de Design Paulo Parra, já não serve. Cá estaremos na expectativa das novidades...
Chegou-nos a noticia que será levado a reunião pública de Câmara, já no próximo dia 14 de Julho quarta feira pelas 14h, o novo protocolo que pretende mudar o destino ao Museu publico de Artesanato de Évora. Aparentemente o anterior, que lhe mudava o nome e finalidade para Museu de Design Paulo Parra, já não serve. Cá estaremos na expectativa das novidades...
terça-feira, 6 de julho de 2010
Museu de artesanato sem telefone há uma semana
"Problemas" na linha deixam Museu incontactável.
Desde sexta feira que quem tente ligar para o Museu de artesanato, Centro de artes tradicionais de Évora, para obter alguma informação ou resolver qualquer dúvida dá com uma linha cortada. O Museu de artesanato de Évora, que custou ao contribuinte um milhão e duzentos mil euros em restauro, há pouco mais de dois anos, definha assim de dia para dia, num emaranhado de situações inexplicáveis que aceleram o seu (nas palavras da Câmara Municipal de Évora e do Turismo do Alentejo) aparente "fracasso".
Numa altura do ano em que o fluxo de turismo em Évora é considerável o Turismo do Alentejo e a Câmara Municipal de Évora marcam mais um ponto no interesse que demonstram pela "defesa" da promoção da Arte popular e da Cultura da região Alentejo. Este será um problema que o privado a quem o Museu vai ser oferecido não terá de enfrentar porque tem já garantidas todas as despesas incluso com telefones e demais comunicações até à "sustentabilidade" do Museu Privado de Design,que já a partir do próximo dia 10 de Julho substituirá o Centro de artes tradicionais Museu de Artesanato de Évora.
Desde sexta feira que quem tente ligar para o Museu de artesanato, Centro de artes tradicionais de Évora, para obter alguma informação ou resolver qualquer dúvida dá com uma linha cortada. O Museu de artesanato de Évora, que custou ao contribuinte um milhão e duzentos mil euros em restauro, há pouco mais de dois anos, definha assim de dia para dia, num emaranhado de situações inexplicáveis que aceleram o seu (nas palavras da Câmara Municipal de Évora e do Turismo do Alentejo) aparente "fracasso".
Numa altura do ano em que o fluxo de turismo em Évora é considerável o Turismo do Alentejo e a Câmara Municipal de Évora marcam mais um ponto no interesse que demonstram pela "defesa" da promoção da Arte popular e da Cultura da região Alentejo. Este será um problema que o privado a quem o Museu vai ser oferecido não terá de enfrentar porque tem já garantidas todas as despesas incluso com telefones e demais comunicações até à "sustentabilidade" do Museu Privado de Design,que já a partir do próximo dia 10 de Julho substituirá o Centro de artes tradicionais Museu de Artesanato de Évora.
quinta-feira, 1 de julho de 2010
As Forças negras e o Museu de artesanato
Resposta a entrevista do Sr Presidente da Câmara Municipal de Évora Dr José Ernesto Oliveira
No passado dia 23 de Junho em entrevista na edição do Semanário Registo o Presidente da Câmara de Évora, Dr José Ernesto Oliveira, classificava – sem referir nomes – o Movimento de Defesa do Museu de Artesanato de “Forças negras”. Afinal o Museu de Artesanato não vai ser substituído, afirmou o Presidente.
Nunca foi intenção chamar-lhe “Museu de Design de Évora – Colecção Paulo Parra” (conforme estava na Proposta de Protocolo aprovada em reunião de Câmara 25 Março 2010), mas sim “Museu do Design e Artesanato”. As “Forças negras” estavam carecas de saber isso e “aquilo” (entenda-se o Museu de Artesanato) até vai beneficiar com isso. Afinal “quantos anos tem a colecção que lá está exposta?”. Coisas velhas portanto. Precisamos é delas modernas e reluzentes…
Também, segundo as palavras da sua vereadora da cultura Cláudia Pereira, “isso só pode valorizar o espaço e o espólio que um suposto grupo de amigos deste museu que agora aparece, nunca conseguiu valorizar”(*).
Para desinformação estamos falados. Também há quem lhe chame “navegar à vista”, conforme – neste caso – a contestação pública.
O aparente “fracasso” do Museu de artesanato – que pertence ao Turismo do Alentejo -a nós se deveu. Afinal o Centro de artes tradicionais, Museu de artesanato que “É para fechar…”; “vai ser Museu conjunto…”; “Poderá ser itinerante…” também terá parte da culpa porque “Não é auto sustentável”… Porventura o único no país que terá essa obrigação. Mas também quem o manda não ser moderno e reluzente?...
Não havia dinheiro sequer para a sua promoção e divulgação e mau grado o seu carácter Regional, o Turismo do Alentejo não encontrou aparentemente ninguém no Distrito capaz de sua gestão e deste milhão e duzentos mil euros nele empregues em recuperação há dois anos apenas. Nem câmaras municipais, nem juntas de freguesia, nem associações de artesãos, nada…
Ainda agora esteve fechado quinze dias, pois a licenciada a contrato a prazo, que tanto varre o chão, vende bilhetes, organiza exposições e faz visitas guiadas, teve uns dias de férias, e o Turismo do Alentejo não tinha ninguem para a substituir…
A única solução para o Museu foi mesmo um privado com uma colecção privada, “colega” da srª vereadora na Universidade, mas que ela “nem conhecia”. Perguntarão: um privado com uma boa ideia submetida a concurso público, correcto?... Nem por isso.
Tem esta colecção de Design industrial algo a ver com a nossa cultura, a nossa região, as nossas tradições?... Não. Tem este privado algum mérito reconhecido, intervenção pública, é benemérito de alguma coisa pelo bem público praticado ou afim?... Nicles.
Então nós, contribuintes, vamos oferecer a este privado um Museu, que acabámos de pagar e custou um balúrdio e é um repositório da nossa história, tradição e cultura porque... sim?!... Parece que sim.
E vamos pagar-lhe esse novo Museu de Design, que vai ter custos fixos pelo menos ao triplo do actual, porque... sim?!... Parece que vamos.
E pelo caminho temos de tornar o acervo histórico de Artesanato do Alentejo necessáriamente parte do Design deste senhor?... É o que parece. Mas menos mal… Quando o tal protocolo foi a votos nem isso lá vinha acautelado… Ainda bem que ele não coleciona borboletas…
Felizmente que o Museu de Design deste conhecido desconhecido do Sr. Presidente e da Srª vereadora não vai ser público como o de Artesanato. Vai ser privado. E já sabemos também que não vai ter problemas de divulgação, falta de pessoal, escassez de verbas ou outros que tais porque para esse estão já garantidas todas as despesas pagas pela Câmara e pelo Turismo do Alentejo (sim… os mesmos que não têm dinheiro sequer para uma substituta de férias) - incluso com aumento de pessoal - até à sua “sustentabilidade financeira” surja ela quando surgir… Nas palavras da Srª vereadora “dado o empenho do colecionador será muito em breve concerteza”…
De facto nunca nos insurgimos contra o Museu de Design e sua instalação em qualquer outro (dos muitos) espaço devoluto da cidade, (como aliás ainda há pouco uma prestigiada galeria internacional o fez) o problema é que este “coleccionador professor da Universidade local, que não deve ter pesadelos nem pesos na consciência pelos estragos que provoca, vendeu a ideia da cidade vir a ser um “centro internacional” do design… começando logo a abrir caminho pisando aqui e ali, fazendo isto resvalar para o ridículo nacional”(**) e quem devia ter a obrigação de actuar com bom senso – o Sr. Presidente da Câmara – parece estar mais preocupado em identificar Forças Negras, que em dar ouvidos ao povo que o elege. E vai daí trata logo de desclassificar e insultar as pessoas que tenham a opinião divergente da sua.
Interesse público?... O Museu de Artesanato custou um dinheirão ao contribuinte. O Turismo do Alentejo não investe no Museu e ele “fracassa”. É oferecido à Câmara e esta atira-o pela janela, por acaso na exacta altura em que um conhecido desconhecido vai a passar, que o apanha e mete ao bolso...
Daqui de onde estou, as únicas Nuvens negras que vejo são as que pairam por cima de toda esta história…
(*) in Caféportugal.net 8 junho 2010
(**)Palminha da Silva in A defesa 19 Maio de 2010
Tiago Cabeça (artesão)
In Semanario Registo 1 Julho 2010
http://www.registo.com.pt/
No passado dia 23 de Junho em entrevista na edição do Semanário Registo o Presidente da Câmara de Évora, Dr José Ernesto Oliveira, classificava – sem referir nomes – o Movimento de Defesa do Museu de Artesanato de “Forças negras”. Afinal o Museu de Artesanato não vai ser substituído, afirmou o Presidente.
Nunca foi intenção chamar-lhe “Museu de Design de Évora – Colecção Paulo Parra” (conforme estava na Proposta de Protocolo aprovada em reunião de Câmara 25 Março 2010), mas sim “Museu do Design e Artesanato”. As “Forças negras” estavam carecas de saber isso e “aquilo” (entenda-se o Museu de Artesanato) até vai beneficiar com isso. Afinal “quantos anos tem a colecção que lá está exposta?”. Coisas velhas portanto. Precisamos é delas modernas e reluzentes…
Também, segundo as palavras da sua vereadora da cultura Cláudia Pereira, “isso só pode valorizar o espaço e o espólio que um suposto grupo de amigos deste museu que agora aparece, nunca conseguiu valorizar”(*).
Para desinformação estamos falados. Também há quem lhe chame “navegar à vista”, conforme – neste caso – a contestação pública.
O aparente “fracasso” do Museu de artesanato – que pertence ao Turismo do Alentejo -a nós se deveu. Afinal o Centro de artes tradicionais, Museu de artesanato que “É para fechar…”; “vai ser Museu conjunto…”; “Poderá ser itinerante…” também terá parte da culpa porque “Não é auto sustentável”… Porventura o único no país que terá essa obrigação. Mas também quem o manda não ser moderno e reluzente?...
Não havia dinheiro sequer para a sua promoção e divulgação e mau grado o seu carácter Regional, o Turismo do Alentejo não encontrou aparentemente ninguém no Distrito capaz de sua gestão e deste milhão e duzentos mil euros nele empregues em recuperação há dois anos apenas. Nem câmaras municipais, nem juntas de freguesia, nem associações de artesãos, nada…
Ainda agora esteve fechado quinze dias, pois a licenciada a contrato a prazo, que tanto varre o chão, vende bilhetes, organiza exposições e faz visitas guiadas, teve uns dias de férias, e o Turismo do Alentejo não tinha ninguem para a substituir…
A única solução para o Museu foi mesmo um privado com uma colecção privada, “colega” da srª vereadora na Universidade, mas que ela “nem conhecia”. Perguntarão: um privado com uma boa ideia submetida a concurso público, correcto?... Nem por isso.
Tem esta colecção de Design industrial algo a ver com a nossa cultura, a nossa região, as nossas tradições?... Não. Tem este privado algum mérito reconhecido, intervenção pública, é benemérito de alguma coisa pelo bem público praticado ou afim?... Nicles.
Então nós, contribuintes, vamos oferecer a este privado um Museu, que acabámos de pagar e custou um balúrdio e é um repositório da nossa história, tradição e cultura porque... sim?!... Parece que sim.
E vamos pagar-lhe esse novo Museu de Design, que vai ter custos fixos pelo menos ao triplo do actual, porque... sim?!... Parece que vamos.
E pelo caminho temos de tornar o acervo histórico de Artesanato do Alentejo necessáriamente parte do Design deste senhor?... É o que parece. Mas menos mal… Quando o tal protocolo foi a votos nem isso lá vinha acautelado… Ainda bem que ele não coleciona borboletas…
Felizmente que o Museu de Design deste conhecido desconhecido do Sr. Presidente e da Srª vereadora não vai ser público como o de Artesanato. Vai ser privado. E já sabemos também que não vai ter problemas de divulgação, falta de pessoal, escassez de verbas ou outros que tais porque para esse estão já garantidas todas as despesas pagas pela Câmara e pelo Turismo do Alentejo (sim… os mesmos que não têm dinheiro sequer para uma substituta de férias) - incluso com aumento de pessoal - até à sua “sustentabilidade financeira” surja ela quando surgir… Nas palavras da Srª vereadora “dado o empenho do colecionador será muito em breve concerteza”…
De facto nunca nos insurgimos contra o Museu de Design e sua instalação em qualquer outro (dos muitos) espaço devoluto da cidade, (como aliás ainda há pouco uma prestigiada galeria internacional o fez) o problema é que este “coleccionador professor da Universidade local, que não deve ter pesadelos nem pesos na consciência pelos estragos que provoca, vendeu a ideia da cidade vir a ser um “centro internacional” do design… começando logo a abrir caminho pisando aqui e ali, fazendo isto resvalar para o ridículo nacional”(**) e quem devia ter a obrigação de actuar com bom senso – o Sr. Presidente da Câmara – parece estar mais preocupado em identificar Forças Negras, que em dar ouvidos ao povo que o elege. E vai daí trata logo de desclassificar e insultar as pessoas que tenham a opinião divergente da sua.
Interesse público?... O Museu de Artesanato custou um dinheirão ao contribuinte. O Turismo do Alentejo não investe no Museu e ele “fracassa”. É oferecido à Câmara e esta atira-o pela janela, por acaso na exacta altura em que um conhecido desconhecido vai a passar, que o apanha e mete ao bolso...
Daqui de onde estou, as únicas Nuvens negras que vejo são as que pairam por cima de toda esta história…
(*) in Caféportugal.net 8 junho 2010
(**)Palminha da Silva in A defesa 19 Maio de 2010
Tiago Cabeça (artesão)
In Semanario Registo 1 Julho 2010
http://www.registo.com.pt/
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