terça-feira, 27 de julho de 2010

RTP - PORTUGAL EM DIRECTO

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Reportagem Museu de Artesanato versus Museu de Design
(entre o minuto 8,16 e o minuto 11,38)

Museu do Design e do Artesanato de Évora avança


Pareceres desfavoráveis

Primeiro Museu do Design e do Artesanato da Península Ibérica vai mesmo avançar em Évora, contra os pareceres desfavoráveis da Direcção Regional de Cultura, da Comissão Municipal de Arte e Arqueologia e do Instituto dos Museus e da Conservação.
Contra estas opiniões, a Entidade Regional de Turismo (ERT) do Alentejo e a Câmara Municipal de Évora decidiram aceitar a proposta do coleccionador Paulo Parra para esta cidade receber o seu espólio e avançar para a criação deste novo espaço.

As contestações surgem do facto de mais de 3500 peças de design irem coabitar com outras tantas de artesanato que estão no Centro de Artes Tradicionais e que agora vai mudar de denominação.

No entender do presidente da ERT, Ceia da Silva, o novo museu irá abrir a partir de Outubro/Novembro, “sem se acabar com nada, sem mudar, mas melhorando e criando um upgrade para o artesanato”.

Ceia da Silva considera que esta foi a melhor solução encontrada, uma vez que “dará outra mais-valia ao artesanato que pode em conjugação com o design obter o reconhecimento por parte do Instituto Nacional dos Museus, sendo igualmente motivo de atracção turística. “É muito importante que possamos levar o nosso artesanato e os nossos artesãos a uma internacionalização, atrair para Évora muitos turistas”, frisou.

Esta ideia foi reiterada pela vereadora da autarquia, Cláudia Pereira que avançou ainda que o actual Centro de Artes Tradicionais estava a perder cada vez mais visitantes, não se justificando as despesas face às receitas auferidas.

“Além disso, aquele espaço não podia viver só com aqueles objectos porque muitos deles estão disponíveis em lojas de artesanato e, para mim, um museu tem que dar a quem o visita algo que nós não podemos ter”, considerou, acrescentando que o coleccionador Paulo Parra tem peças que cumprem bem esta função.

Com um espólio de mais de 3500 peças, o coleccionador confessou não entender a oposição a este projecto, sobretudo pelo facto de o design “estar a ter cada vez importância na sociedade”.

Paulo Parra reiterou, assim, a possibilidade de uma coexistência harmoniosa entre o artesanato e o design “porque este vê ancoradas as suas raízes no artesanato, daí esta união ser extremamente natural”. E deu exemplos: “Uma nave espacial é um produto muito artesanal, embora tenha grande tecnologia. É quase tudo montado à mão, as peças são feitas uma a uma, digamos que é um artesanato dos tempos contemporâneos. Mesmo assim a cortiça está lá, as cerâmicas também, portanto, é tudo uma questão de conceito”.

In Público 26.07.2010 - 20:37 Por Maria Antónia Zacarias

Paulo Parra leva as suas canetas, pedras lascadas, cochos e iPods para Évora


Paulo Parra resume a sua colecção de cerca de 2500 peças de design em jeito de subtítulo de livro: "Da pedra lascada ao iPod". Agora, a colecção torna-se acervo. Vai para o novo Museu do Design - colecção Paulo Parra, em Évora, que hoje é apresentado na cidade alentejana e que deve abrir portas no início de 2011.

Há ali, naquela colecção de um estudante universitário curioso tornado cognome de museu de design, um manancial de "primeiros": a primeira caneta de tinta permanente, uma Waterman de 1884, a primeira esferográfica, o primeiro walkman, os primeiros computadores Apple, os primeiros telemóveis, rádios e até um canivete suíço do século XIX. À mistura com os primeiros vidros e porcelanas Vista Alegre (1840), peças de Bordalo Pinheiro ou da britânica Wedgewood e tarros (baldes de cortiça), cochos (conchas de cortiça pastoris) e outros utensílios alentejanos. E, a par das tais pedras lascadas, o potencial para ultrapassar polémicas aliando artesanato a design. É tudo uma questão de técnica, conta-nos Paulo Parra.

"Não existe uma diferença entre o artesanato e o design", postula. "Há é tecnologias diferentes. O cocho ou uma porcelana da Vista Alegre são utilitários testemunhos de uma evolução lógica dos seres humanos", diz ao P2 o director do curso de Design da Universidade de Évora e responsável pelos doutoramentos de Design de Equipamento da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. O tema surge não só pela convivência de artefactos como as pedras lascadas do Megalítico, peças da comunidade religiosa Shaker norte-americana (muito conhecida pelo seu contributo ao nível do mobiliário) e a colecção de electrodomésticos do designer Peter Behrens, expoente do modernismo, para a AEG, mas porque o novo museu se vai situar nas instalações do actual Centro de Artes Tradicionais de Évora.

A decisão da localização do museu, aprovada em reunião pública de câmara (PS) em Abril, mereceu contestação dos defensores da preservação de um espaço que acolhe o espólio de artesanato da Entidade Regional de Turismo. O edifício, no centro de Évora e gerido pelo Turismo do Alentejo, vai agora acolher o museu de design, e Parra defende que a organização cronológica da exposição permanente do futuro museu vai permitir a coexistência dos dois espólios e das duas actividades. Aliás, já levou a cabo vários trabalhos com artesãos - é lembrar a Sela Portuguesa, no Pavilhão de Portugal na Expo Saragoça 2008. "Acredito que muito da sobrevivência do artesanato tradicional pode passar pela colaboração com o design, são precisas pontes para unir designers e artesãos", disse.

A ideia é também descentralizar: "O design está em Lisboa, mas tem de começar a aparecer noutros pontos do país. Esta é uma tentativa de criar um outro pólo", diz Paulo Parra, cuja colecção chegou a estar pensada para se juntar ao espólio de Francisco Capelo (hoje acervo do Museu do Design e da Moda - Mude) no Centro Cultural de Belém. "Esse casamento não se deu." O Museu do Design - colecção Paulo Parra quer criar parcerias com o Mude e está já em contacto com outros museus de design alemães e brasileiros, a pensar em internacionalização.

O processo de instalação em Évora começou há cerca de ano e meio, muito graças à ligação à Universidade de Évora, cujo público, juntamente com o da cidade, é o principal alvo do museu. Depois há os turistas, que ali encontram algo de contemporâneo em contraponto com a oferta histórica da cidade. Além das cerca de 2500 peças, Paulo Parra vai separar-se com alguma melancolia da sua biblioteca de design, arquitectura e arte, que dará ao museu mais condições para, no futuro, se candidatar a integrar a rede do Instituto dos Museus e da Conservação, garantindo a valência de formação e investigação. Haverá uma loja e um auditório, e estão programadas conferências em articulação com o curso de Design de Évora, cujos alunos, bem como os da FBAUL, poderão ter ali à venda alguns trabalhos de projecto com parcerias empresariais.


In Público 26.07.2010 - 08:43 Por Joana Amaral Cardoso

Novo Protocolo vai a reunião de Câmara amanhã 28 de Julho.

Agendamento efectuado hoje, no dia que antecede a reunião.

Foi hoje agendado novo ponto para a reunião de Câmara que ocorrerá amanhã, quarta feira 28 de julho de 2010, onde será levado a votos o novo protocolo que traçará o destino final do Museu de artesanato de Évora.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Lançamento Museu Design - Conferencia de imprensa hoje

Hoje, 26 julho de 2010 no Hotel Mar de Ar em Évora às 16h ocorrerá a conferencia de imprensa do Turismo do Alentejo para o lançamento do Museu de Design de Paulo Parra que se pretende virá a substituir o Museu de Artesanato de Évora.


Delegação Regional do Ministério da Cultura é contra
Comissão Municipal de arte e arqueologia é contra
Instituto Português de Museus é Contra


Que legitima substituir um Museu Publico de Artesanato por um Museu Privado de Design?...
Numa altura de crise profunda é legitimo exigir ao contribuinte que pague este Museu Privado de Design?...

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Parecer do Instituto Português de Museus contra substituição de Museu do Artesanato

Culpas apontadas ao Turismo do Alentejo

Recebemos hoje o Parecer do Instituto Português dos Museus onde manifesta os "altos custos de desactivação de uma instituição estruturalmente bem concebida e que pode ser potenciada com meios humanos"... Refere o IPM ainda que " A inexistencia de um responsável pelo Centro de artes tradicionais bem como de qualquer pessoal técnico compromete sériamente o desenvolvimento deste projecto" que considera o IPM "é suportado por conceitos sólidos de patrimónios que embora materiais radicam no território do imaterial que é o dos saberes e das artes, em processo de esquecimento pelas sociedades modernas".
Um parecer extremamente critico à actual gestão do Museu de artesanato de Évora que pôe a nu, a olhos mais atentos, argumentações vazias.




Parecer do Instituto Português dos Museus contra substituição do Museu de artesanato