sábado, 31 de julho de 2010

Nem uma semana passou e já se esqueceram do Artesanato...

"A vasta colecção Paulo Parra, que a partir de 2011 será exposta no novo Museu do Design em Évora, apresentado esta semana, tem peças que se sabe serem muito valiosas."

In Expresso 31 Julho 2010

quinta-feira, 29 de julho de 2010

MUSEU DO ARTESANATO

Comunicado do Grupo Pro Evora

Tem sido notícia a polémica em torno do Centro de Artes Tradicionais, que nasceu da intenção de a Entidade Regional de Turismo do Alentejo, responsável pelo Centro,
aí instalar uma colecção de peças de design, propriedade de Paulo Parra, com o apoio da
Câmara Municipal de Évora. Estão em causa diversos aspectos: a existência autónoma
do Centro, antigo Museu do Artesanato, sedeado no antigo Celeiro Comum de Évora; a
compatibilidade de coexistência da colecção do museu e da colecção Paulo Parra; a salvaguarda das condições do local e da sua adequação às suas funções museológicas; a tutela e a direcção do Centro; o quadro de pessoal; as responsabilidades fi nanceiras.
O Grupo Pro-Évora nada tem contra a existência de um museu de design constituído
pela colecção Paulo Parra, mas não concorda com a solução prevista, que põe em causa a
existência do Centro de Artes Tradicionais/Museu do Artesanato como instituição cultural
autónoma e as condições adequadas para a exposição do seu acervo. Também as soluções
financeira e directiva previstas, segundo o protocolo conhecido, não defendem nem
garantem a valia do Museu do Artesanato nem a continuidade que lhe deve ser reconhecida. Já no corrente mês de Julho, o Instituto dos Museus e da Conservação manifestou, relativamente ao Centro de Artes Tradicionais, que «o projecto e a área
científica em que se inscreve parecem ser, ainda hoje, de grande pertinência para o território e a sociedade local, marcas de uma identidade onde a população se reconhece e onde os visitantes de fora compreendem a essência dessa notável identidade», criticando a tutela pela «falta de pessoal técnico que coordene, programe e garanta as actividades de conservação, estudo e divulgação das colecções, fidelização de públicos através de serviços de educação e de comunicação, assim como a articulação em rede com instituições pares, nacionais e internacionais».

in Diario do Sul 28 Julho 2010

Colecção de artesanato dos Canha da Silva contou mais de 20 mil visitantes em 2002.

Colecionadores procuram, há quase uma década, espaço para acervo de cerca três mil peças artesanais.

Exposição de presépios "Entrai pastores entrai" realizada em 2002, ocorreu em duas igrejas da cidade, nomeadamente a de S. Vicente com peças nacionais (onde se realizou a exposição de Paulo Parra) e a da Graça com peças estrangeiras. Respectivamente com cerca de 14 e 7 mil visitantes por espaço esta mostra foi, até ao momento e segundo registos disponiveis, a mais visitada de sempre em Évora. O casal sexagenário de colecionadores procura há cerca de uma década um espaço na cidade sem sucesso.

Afinal é só "resistencia à mudança"

"É natural...", nas palavras da vereadora da cultura Claudia Pereira "Todos temos algumas dificuldades e resistencia à mudança". Afinal muitos daqueles objectos de artesanato "estão perfeitamente disponiveis em lojas de artesanato".

Nas palavras de Ceia da Silva, presidente do Turismo do Alentejo, "Tivemos o grato previlégio de nos cruzarmos com dois icones do Design a nivel mundial: Paulo Parra e Inês Secca Ruivo" cuja "fantástica" exposição realizada em Évora o ano passado "teve mais de 6 mil visitantes".

Paulo Parra, por seu lado "rejeitou a ideia que a solução encontrada lhe seja um bom negocio" afirmando que muito do trabalho que realiza "não é pago".

No artigo não é referido o custo fixo que terá este espaço nem quando poderá chegar o novo eventual Museu privado à autosustentabilidade e, assim, à emancipação do dinheiro dos contribuintes.

Edição on-line:
In Semanário Registo de 29 Julho 2010

Desbloqueando...

A conferência de imprensa do passado dia 26, dada pela Câmara Municipal de Évora, pela Direcção de Turismo do Alentejo e pelo coleccionador Paulo Parra, pretendia ser esclarecedora. Pretendia com argumentos irrefutáveis encerrar de vez a polémica em torno do putativo Museu do Design e do ainda existente Centro de Artes Tradicionais.
Sob o lema “Da pedra lascada ao ipod” fez-se uma viagem pelas peripécias de todo este processo, apresentaram-se argumentos, nenhum deles novo, nenhum deles sustentado. Foi no fundo uma manifestação de intenções precedida de uma justificação colectiva para o desmembramento do moribundo Centro de Artes Tradicionais.
Foi dito que dado o actual estado das coisas, apenas dois caminhos se apresentam, ou o fecho puro e simples deste equipamento, ou então a sua reciclagem e integração no novel Museu.
As despesas são muitas e o rendimento inexistente, a oferta é decepcionante e pouco atractiva, há que inovar e essa inovação terá forçosamente de passar por outro modelo.
Não foi atribuída nenhuma responsabilidade a quem deixou que esta situação se arrastasse, não foi mencionada nenhuma tentativa séria para que o Centro de Artes Tradicionais retomasse o caminho da viabilidade.
Foi mencionado um plano de marketing para o museu do design; mencionado apenas, espera-se ansiosamente a sua divulgação.
“A não instalação do hipotético museu será uma perda irreparável para Évora e para o Alentejo,” foi afirmado pelo Dr. Ceia da Silva. Para além do manifesto exagero que tal afirmação comporta, interrogo-me se não será também o caso no que ao centro de artes tradicionais diz respeito?
Recuperou-se um edifício, um acervo, criaram-se condições únicas para levar por diante um projecto de reconhecidos méritos, para depois tudo se afundar numa apagada e vil tristeza, fruto da incompetência de quem tinha a obrigação de pugnar pelo sucesso desse projecto, como aliás se refere no parecer do Instituto Português de Museus. " A inexistência de um responsável bem como de qualquer pessoal técnico
compromete seriamente o desenvolvimento deste projecto" que considera o IPM
"é suportado por conceitos sólidos de patrimónios que embora materiais
radicam no território do imaterial que é o dos saberes e das artes, em
processo de esquecimento pelas sociedades modernas".
Esta é uma das múltiplas questões que deveriam ter tido resposta na dita conferência de imprensa e que não foram sequer afloradas. Como não o foram as opiniões emanadas pela Comissão Municipal de Arte e Arqueologia e também pela Delegação Regional da Cultura do Alentejo.
Tudo isso passa ao largo e o que conta é a luz verde do Ministério das Finanças através da Secretaria de Estado do Tesouro, que como se sabe é a responsável pela cultura neste país…
Quanto à Câmara de Évora, a argumentação utilizada pouco ou nada acrescenta, reafirma-se o investimento neste processo, as cautelas demonstradas na escolha do parceiro, o radioso futuro demográfico que a instalação da Colecção de Design proporcionará a esta exangue cidade, compara-se esta situação à que se viveu em Lisboa, aquando da instalação do Centro de Arte Moderna no espaço Gulbenkian. Um discurso que no fundo apenas mostra a profundidade dos estudos levados a cabo pelo pelouro da cultura da Autarquia, estudos seguros, de águas superficiais, para que o projecto não afunde, nem sufoquem os seus mentores.
O Professor Paulo Parra e a Doutora Inês Ruivo tentaram explicar que artesanato e design são em termos relativos a mesma coisa, que o projecto é uma bênção para os artesãos do distrito e do mundo, já que o museu integrará uma rede de instituições do mesmo cariz, realçaram as ligações profundas do mentor do museu ao Alentejo e aos artesãos alentejanos, (que não foram tidos nem achados na elaboração do projecto) Falaram de uma bienal a realizar, de um “site” a construir, de uma intima parceria com a Universidade de Évora, (que ainda não teve qualquer manifestação institucional) disseram ainda que os formandos do Curso por eles ministrado serão os futuros artesãos de Portugal, pois não fazem distinção entre design e artesanato, (quando feitos por processos artesanais) dando exemplos que não comento.
Por fim, mesmo no fim, foi revelada a intervenção a fazer no espaço. Implica obras, implica custos.
Quem paga?
Aqueles que se vêem compelidos a encerrar o Centro de Artes Tradicionais por não terem verba para o manter.
Sobre isto não digo nada, remeto para os inúmeros pareceres que os organizadores desta conferência de imprensa olimpicamente ignoraram. São eloquentes, falam por si.
Nada neste processo foi e é transparente; a ninguém que pudesse ter opinião contrária foi pedido o mínimo contributo.
Não se indagou sequer se existiriam outras entidades dispostas a assumir a gestão (dentro do mesmo espírito de parceria) do Centro de Artes Tradicionais. Resolveu-se por decreto divino que seria assim.
Porquê? Porque o debate é incómodo, porque dele poderiam surgir alternativas que inviabilizassem o arranjo, e isso para algumas mentes iluminadas, é um dos grandes inconvenientes da democracia, a prevalência da vontade popular!
Queixam-se dos enxovalhos sofridos sem perceberem o imenso enxovalho que estão a fazer à democracia.

Miguel Sampaio - In Diário do Sul 29 Julho 2010

Novo protocolo aprovado em reunião de Câmara

Voto do vereador do PSD, Antonio Dieb, viabiliza projecto.

Foi assim ontem 28 de julho de 2010, com agendamento no dia anterior e com um voto a fazer a diferença (maioria PS votou favoravelmente, demais oposição votou contra), que o novo protocolo entre a Câmara Municipal de Évora, o Turismo do Alentejo e o Colecionador Paulo Parra foi aprovado. Agora o anteriormente denominado em protocolo "Museu de Design Paulo Parra" passa a "Museu do Artesanato e do Design" e inclui, além da colecção particular do colecionador, o acervo do Centro de artes tradicionais que desaparece enquanto instituição. Câmara Municipal que arcará praticamente com todas as despesas deste projecto privado, desconhece ainda os seus custos e a maioria dos proprietários do acervo de artesanato (parte das peças expostas pertence a particulares ou intituições) nem sequer foi informada do facto.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Novo Protocolo vai a reunião de Câmara hoje 28 de Julho.

Agendamento efectuado ontem, no dia que antecedeu a reunião.

Foi ontem agendado novo ponto para a reunião de Câmara que ocorrerá hoje, quarta feira 28 de julho de 2010, onde será levado a votos o novo protocolo que traçará o destino final do Museu de artesanato de Évora.