quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Museu de Artesanato ENCERRADO POR FALTA DE PESSOAL



Quem passe hoje à porta do CAT Museu de Artesanato de Évora, encontra o aviso: "Estamos encerrados até dia 24 de Outubro por falta de pessoal".


Sabemos que a licenciada que trabalha a contrato, e tanto vende os bilhetes, lava o chão, organiza exposições e faz visitas guiadas, está de férias durante alguns dias. O Turismo do Alentejo (TA) aparentemente não tem mais ninguém para a substituir.

Pelo contrário e segundo o protocolo já acordado quando o "Museu de Artesanato e Design" do colecionador privado abrir, o TA e a Câmara de Évora garantirão pelo menos e com dinheiro do contribuinte: "um funcionário do museu; um funcionário para a loja; um técnico; pessoal de segurança; pessoal de limpeza; pessoal de apoio a processos de candidatura a fundos europeus e outros; uma Direcção do Museu constituida por representantes do TA, da Câmara Municipal e pelo próprio colecionador; dois quadros superiores doutorados em design.

O que nos leva a lamentar estarmos em crise, pois se não estivessemos...

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Évora - Críticos do novo Museu do Artesanato e Design criam associação


A «Perpetuar Tradições» recentemente criada com o objectivo centrado na defesa do artesanato alentejano apoia-se, para já, na luta contra o «fim» do Centro de Artes Tradicionais (CAT) em Évora. O espaço dará lugar ao novo Museu do Design - Colecção Paulo Parra. Tiago Cabeça, membro da nova associação, diz que «está em causa o desaparecimento do CAT» e considera que o Turismo do Alentejo e a autarquia de Évora estão a cometer um «crime», entregando a «memória de um povo» a um privado.(...)

«Não encontramos justificação para isso. Mais que as convicções ou gostos pessoais do presidente da Entidade Regional do Turismo do Alentejo (ERTA), Ceia da Silva, ou do presidente da Câmara Municipal de Évora, Ernesto Oliveira, não existe, até ao momento, uma justificação plausível para esse encerramento. Continuaremos a lutar para o evitar. O responsável da nova associação relembra que «é obrigação legal e estatutária da ERTA e de Ceia da Silva garantir a preservação e divulgação do artesanato à guarda do CAT».(...)

«O próprio Instituto Português de Museus e da Conservação manifestou sérias reservas pela possível extinção de ´um bom projecto´. Por parte do Turismo do Alentejo a razão invocada é: “Paulo Parra é um ícone do Design Mundial”. No mínimo esta será uma razão discutível», explica.(...)

É lamentável que tenhamos de resgatar a nossa cultura, tradição e memória justamente das mãos que deveriam zelar pela sua protecção e divulgação», conclui.(...)

O Café Portugal tentou ouvir o presidente da Entidade de Turismo do Alentejo, Ceia da Silva, mas até ao momento não foi possível uma reacção às posições da nova associação.


In Café Portugal por Ana Clara

sábado, 9 de outubro de 2010

Acta da Comissão Municipal de Defesa do Património continua atrasada

Vai para quatro meses

A acta da ultima reunião da Comissão Municipal de Arte, Arqueologia e Património de Évora continua sem aparecer.

Da responsabilidade do representante da Câmara Municipal de Évora, (no caso a Srª vereadora da cultura Claudia Pereira, para quem o artesanato do Alentejo sobeja nas lojas e não precisa de um Museu) este documento ainda não parece ter conseguido ver a luz do dia.

De facto na dita reunião consultiva desta Comissão, o projecto de acabar com o Museu de Artesanato para o substituir por Design - foi criticado "cerrada e impiedosamente" por todos os membros, à excepção da dita vereadora e do próprio "colecionador de design" que irá beneficiar do negócio.

Segundo nos fizeram constar, a quem lhe pergunta pelo documento a Srª vereadora responde que o mesmo "é de elaboração dificil por a reunião ter sido inconclusiva"...

Afinal são Convicções...

Na ultima conferencia de imprensa promotora do putativo museu de design e artesanato afinal concluiu-se que as "provas" de que o Design atrairá milhares de visitantes a Évora, muitos mais que o Artesanato do Alentejo, não são provas... são convicções. É esta a razão que leva o Presidente do Turismo do Alentejo, Ceia da Silva, e o Presidente da Câmara Municipal de Évora, Ernesto Oliveira, a entregarem um Museu público de um milhão e duzentos mil euros, a um privado de quem ninguém antes ouviu falar: a convicção de que Évora ficará inundada de turistas no dia seguinte...

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Não há duas sem três!*

Joaquim Palminha Silva In A Defesa 30 Setembro 2010

Com o início da actual gestão municipal (em 2001), entramos num vestíbulo onde era suposto sorrir, com visível alegria e entusiasmo, um conjunto de ideias inovadoras (e convívio democrático, aberto, não exclusivista, capaz de aceitar o espírito crítico)… Afinal de contas, fomos vendo paulatinamente que não havia mais do que um “cabide” carregado de “chapéus” de toda a espécie. Enfi m, “chapéus há muitos!...”…
Expliquemo-nos…
Primeiro, surgiu a “ideia-inovadora” (2004) da “Évora-Moda” auto-promovida pela CME e outros “ilustres” parceiros da urbe. Isto é, a organização de um desfi le de “moda” com figurantes mais ou menos vestidos, e a exibição de uma série de mediocridades nacionais da TV e capas de revistas “cor-de-rosa”… Esta “parada” estapafúrdia foi inaugurada face ao templo romano, pelo que a exorbitância de decibéis e outra poluição ambiente na acrópole da cidade, transformaram a iniciativa num gesto vandálico de agressividade patrimonial que “arrepiou”, com toda a razão, alguns agentes culturais e foi objecto na altura de acesa discussão crítica na Comissão Municipal de Arte, Arqueologia e Defesa do Património. O mesmo disparate se repetiu noutra edição da “Évora-Moda”, na Praça de Giraldo, aí massacrando a fonte henriquina e a igreja de Santo Antão… Enfim, além do dispêndio financeiro e vários distúrbios culturais, esta iniciativa resultou numa espécie de “capote rasgado e chapéu roto”, retirados do tal “cabide”, colocando Évora alguns dias fora do recatado lugar de classificada pela UNESCO, para abancar na enxerga da foleirice nacional…
Depois, aconteceu a história caricata (2005) de um cavalheiro de nome Tristan Gillot (portador de passaporte belga) que, enquanto se apresentava como “príncipe” da Transilvânia (?), conseguia convencer a gestão municipal de que tinha capitais para erguer em Évora uma fábrica de pequenos aviões… e, nesse sentido, foi-lhe facultada a cedência de 2 688 m2 de terreno. Esta versão “alentejana” do “conto do vigário” acabou com o cavalheiro (referenciado pela INTERPOL como burlão internacional!) preso pelas autoridades, felizmente sem perigo de maior para os cofres da CME… E lá se foram, saídos do tal “cabide”, outro “capote rasgado” e mais um “chapéu roto”… Évora descia, então, da epopeia patrimonial para esse “crepúsculo” transtagano que é o anedotário alentejano…
Por fim, aparece-nos agora a ideia de “posicionar Évora como um centro cultural integrado nas grandes capitais mundiais do design”, segundo o texto do protocolo firmado entre as instituições Turismo do Alentejo, CME e um particular, por sinal Professor de design na Universidade de Évora e, no caso, proprietário da colecção de objectos a servir de acervo a um denominado “Museu do Design” industrial…
Curiosamente, “museu” a edificar no espaço do extinto Museu do Artesanato actual Centro de Artes Tradicionais, ignorando a existência deste mesmo espaço museológico e seu respectivo acervo, ainda que pálida imagem do que deveria ter sido um efectivo “museu do artesanato” alentejano, etc.. Entretanto, temos de dar conta da nossa perplexidade face à hipocrisia reinante, pois ninguém se atreve a dizer que Évora não necessita de um “Museu de Design” para nada! De resto, é “coisa” perfeitamente descontextualizada aqui e agora (compreendemos o perigo que envolve fazer esta afirmação)!…
Mas pense o leitor com alguma lógica: - Se porventura um Prof. da UE beneficiando de relações íntimas, de privilégio, com a gestão municipal, por “mania” ou gosto científico coleccionasse borboletas exóticas, teríamos obrigatoriamente um “museu da borboleta”, “integrado nas grandes capitais mundiais” das colecções de borboletas? … A actual gestão municipal empenha-se (é um facto!) em encontrar o maior número possível de inovações culturais ou lúdicas que, para além do que já se sabe, coloquem Évora no centro das atenções do turismo nacional e internacional, bem como tem procurado afanosamente atrair investimentos e criar emprego para a população, tal é o caso, por exemplo, da fábrica de origem brasileira de “componentes para aviões” que, como a “Feira de S. João”, todos os anos é inaugurada um pouco mais! Mas nunca mais se transforma em realidade!… Claro que é digno de registo o esforço da gestão municipal, embora não faça mais do que a sua obrigação!
Todavia, acreditamos que deve ser penoso para a gestão municipal organizar desfiles de “moda” que resultaram em fi ascos anunciados, acreditar no primeiro estrangeiro que lhe aparece a “vender a banha da cobra” e, por fi m, embandeirar entusiasmada no “paleio” de um “professor” na Universidade local (que não deve ter pesadelos nem pesos na consciência, pelos estragos que provoca!), que lhe “vendeu” a ideia da cidade vir a ser um “centro internacional” do design… Começando logo a “abrir” caminho pisando aqui e ali, incompatibilizando-se com os agentes culturais da urbe, pessoas singulares e instituições locais, resvalando para o ridículo nacional! Tudo isto deve ser penoso de sofrer para a actual gestão municipal, mas é muito mais penoso para o preocupado e inquieto cidadão eborense…
Na verdade, não há duas sem três! Decididamente, esta gestão municipal teima em fazer do seu trabalho, na área cultural e lúdica, um “cabide” para chapéus! Esta gestão municipal teima em nos desfigurar a cidade, porque se julga moderna, cosmopolita e de “excelência”, mas no meio de uma cidade de casas arruinadas, incapaz de eficácia na simples limpeza e restauro das calçadas urbanas, alterando-nos sem “autorização” referendária praças e jardins, atreve-se todavia a pretender ser “centro cultural” não se sabe do quê, acabando numa prática patética de “troca-tintas” disto e daquilo, que desgosta e envergonha a grande número de eborenses…
Por fi m, faz-se desantendida, não responde aos argumentos dos que a criticam publicamente, responde como “individuo” sofrendo de disfunção crónica, apesar de possuir neste mandato específico vereador da Cultura (lugar desempenhado até aqui pelo Presidente do Município), o seu suposto potencial cultural degrada-se a olhos vistos, a superficialidade e a inelutável leviandade que a acompanha tornou-se prática corrente… Como se diz (ou dizia) nas “passagens de nível” ferroviárias, aventamos este alerta aos cidadãos eborenses, sempre que tenham de se relacionar com actual gestão municipal, área cultural e não só: – PARE, ESCUTE E OLHE!!!
Para não serem atropelados pela asneira, celindrados pela crónica disfunção do raciocínio ou esmigalhados pela bacoquice mental!
“Chapéus há muitos”…
* Esta crónica volta a ser publicada com modificações, porque infelizmente a “estrutura” cultural bem como a mentalidade corrente, no seio do executivo municipal, continua inalterável… Isto é, se houve mudança foi para pior!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Artesãos admitem luta judicial contra o Museu do Design de Évora




Nova Associação
Público 22.09.2010 - 08:10 Por Maria Antónia Zacarias, com Joana Amaral Cardoso

Os artesãos de Évora que não concordam com a transformação do Centro de Artes Tradicionais (CAT) em Museu do Artesanato e Design admitiram ontem que estão preparados para endurecer as formas de luta. O recurso à via judicial, através de uma providência cautelar, é uma das opções em cima da mesa.
O recurso à via judicial, através de uma providência cautelar, é uma das opções em cima da mesa.
Ontem foi possível perceber que o movimento de contestação se organizou, com a criação de uma nova associação - a Associação de Defesa do Artesanato do Alentejo, que se apresentou, à tarde, em Évora. Os seus responsáveis garantiram que usarão todos os meios legais. "Este é o nosso primeiro cavalo-de-batalha, que tem de ser ganho", sustentou Tiago Cabeça, artesão e um dos fundadores da associação.

Questionado sobre as intenções deste movimento, o coleccionador Paulo Parra disse ao PÚBLICO não entender a controvérsia "de criar dois museus para promover dois espólios complementares". Em seu entender, a oposição que o projecto tem merecido só se pode perceber "sob outros interesses", que não quis nomear, enfatizando que o plano de convivência dos dois espólios (o do CAT e a Colecção Paulo Parra) no futuro museu se mantém e que a sua equipa tem "larga experiência no trabalho com grandes artesãos alentejanos".

Também o presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo, Ceia da Silva, foi contactado, mas escusou-se a tecer comentários.

Os promotores desta associação reiteram o que tem vindo a ser dito desde Março deste ano, alegando que é "impossível" e "incongruente" colocar no mesmo espaço as duas colecções, "até porque o local não tem condições". Fora este argumento, os membros da nova associação insistem que nada têm contra a abertura de uma colecção privada de design industrial do século XX, desde que seja num outro sítio da cidade.

Toda a polémica começou quando a Entidade Regional de Turismo do Alentejo, a Câmara Municipal de Évora e o professor Paulo Parra decidiram instalar, nesta cidade, a colecção deste último.

Faltava um espaço e a escolha recaiu sobre o edifício do antigo Celeiro Comum. Um espaço que sofreu obras de recuperação "suportadas pelo erário público - com o apoio de fundos comunitários", e que foi reaberto há cerca de dois anos, com o espólio do CAT. Porém, a autarquia e o turismo afirmam que este centro não tem viabilidade financeira, por falta de público. Um argumento que, segundo os artesãos que lideram a nova associação, ainda está "por provar".

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

PERPETUAR TRADIÇÕES-ASSOCIAÇÃO DE DEFESA DO ARTESANATO DO ALENTEJO

Évora, 17 de Setembro de 2010

Excelentíssimos Senhores,

Assunto : Convite para a conferência de imprensa de apresentação da Associação
“PERPETUAR TRADIÇÕES-ASSOCIAÇÃO DE DEFESA DO ARTESANATO DO ALENTEJO



Na próxima Terça-feira, 21, pelas 17.00 horas, procederemos à apresentação da associação “PERPETUAR TRADIÇÕES” aos profissionais da Comunicação Social, que terá lugar na
Casa de Chá Condestável, na Rua Diogo Cão, em Évora no Centro Histórico.

A criação desta associação foi suscitada pelas ameaças que, desde finais de Março, foram tornadas públicas pondo em risco o futuro do Centro de Artes Tradicionais, antigo Museu do Artesanato de Évora.

Os signatários fizeram de então para cá fazer ouvir as suas opiniões através de uma Petição, de artigos nos jornais, e de outras tomadas de posição públicas.
Perante a manutenção daquelas ameaças, entendemos agora que terá que existir uma organização formalizada para as medidas que se imponham em defesa daquele projecto, e da cultura popular do Alentejo.

Essa, a razão de ser deste convite.
Esperamos tê-los convosco na próxima Terça-feira. Os melhores cumprimentos:

Adel Sidarus
Carmelo Aires
Carmen Ballesteros
Carolina Páscoa
Celestino Froes David
João Andrade Santos
Joaquim Palminha Silva
Magda Ventura
Manuel Branco
Miguel Sampaio
Tiago Cabeça

sábado, 11 de setembro de 2010

Os meus heróis...

São as pessoas que resistem porque acreditam.

Gabriela Canavilhas - Ministra da Cultura
In Semanário Expresso, 11 de Setembro de 2010

Petição Publica pelo não encerramento do CAT Museu Artesanato de Évora

Continuamos a recolher assinaturas. Assine connosco!

Petição

Uma questão grave

Sabendo das dificuldades que o país e, particularmente a Câmara Municipal de Évora, atravessam. Sabendo que o putativo "Museu do Design e Artesanato" irá custar ao Municipio pelo menos três vezes mais que o actual Centro de Artes Tradicionais (CAT) (estima-se que mais de 100.000€ anuais) fica a questão:

Haverá dinheiro para manter este Museu privado do Design?

Ou vamos só destruir o CAT?...

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Um saco cheio de nada...

Recebemos a resposta da Câmara Municipal de Évora à interpelação do Grupo parlamentar do Bloco de Esquerda que apenas veio confirmar aquilo que já se suspeitava: os "estudos" que "provam" à Câmara Municipal de Évora e ao Turismo do Alentejo do maior interesse do Design sobre o Artesanato, os mesmos que apontam para multidões de visitantes e que colocarão Évora "na rota internacional do Design" são um saco cheio de... coisa nenhuma. Não existem. Confrontado pelo Bloco de Esquerda o sr. Presidente da Câmara Municipal de Évora responde: Foram eles que pediram (entenda-se o Turismo do Alentejo).

Fica outra pergunta no ar: além do Sr Paulo Parra - parte evidentemente interessada - haverá alguma personalidade/instituição que reconheça da imprescindibilidade deste Design sobre o Artesanato do Alentejo?

É que até ao momento, mais ninguem se fez ouvir...

Interpelação pelo Grupo Parlamentar do Bloco de esquerda


Requerimento À Câmara Municipal de Évora



"Atendendo ao exposto, e ao abrigo das disposições constitucionais e regimentais aplicáveis, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda vem por este meio requerer à Câmara Municipal de Évora cópia dos estudos em que se fundamentou para a substituição do Centro de Artes Tradicionais /Antigo Museu do Artesanato pela criação do Museu do Design em Évora – Colecção Paulo Parra, bem como cópia do Protocolo tripartido".


Resposta do Presidente da Câmara Municipal de Évora:

"(...) No inicio do corrente ano a Câmara Municipal de Évora foi contactada pelo Turismo do Alentejo propondo o estabelecimento de parceria para acolher a colecção de Design Paulo Parra(...) Para este objectivo a ERT disponibilizou o espaço (...) que acolhe o Centro de artes tradicionais. (...) Em anexo remeto copia do protocolo aprovado".

Évora: Artes tradicionais ou 'design'?




por LUÍS MANETA

In Diário de Noticias 10 de Setembro de 2010

Futuro Museu do Design no edifício do Museu do Artesanato lançou contestação de grupo de cidadãos.

A decisão da Câmara Municipal de Évora e da Entidade Regional de Turismo (ERT) do Alentejo de instalar o novo Museu do Design no edifício onde se encontra a funcionar o Centro de Artes Tradicionais (Museu do Artesanato) vai ser contestada em tribunal por cidadãos que consideram tratar-se de uma opção que "empobrece" a memória histórica do Alentejo.

"Uma vez que os nossos argumentos não foram ouvidos por quem decide, resta-nos avançar com uma providência cautelar. Não chegamos lá de outra maneira", diz ao DN o artesão Tiago Cabeça, primeiro subscritor de uma petição com 650 assinaturas contra a "secundarização" do Museu do Artesanato, cujo espólio constitui um "importante marco da memória dos usos, costumes e tradições" da região.

O recurso a tribunal, cuja fundamentação jurídica está a ser preparada, é apontado como a "derradeira tentativa" para travar a abertura do Museu do Design, prevista para o início do próximo ano, no edifício do antigo Celeiro comum, próximo da Capela dos Ossos. O mesmo espaço onde em 1962 foi inaugurado o Museu do Artesanato, que ali funcionou até à década de 90. Em 2007, depois de um investimento de um milhão de euros, o museu reabriu portas.

"Não compreendemos como é que se pretende pôr de lado um investimento que foi apoiado por fundos comunitários com o objectivo de valorizar a cultura regional", diz Tiago Cabeça, considerando que "não faz sentido manter num edifício com apenas 200 espaços expositores" uma colecção de artesanato e outra de design industrial. "São coisas completamente diferentes. Uma é a etnografia e o artesanato do Alentejo, outra são peças de plástico para produção em massa."

Recusando comentar a providência cautelar, o presidente da ERT do Alentejo, Ceia da Silva, garante que o museu irá continuar a ter uma "valência de artesanato", estando a decorrer o concurso público para requalificação do espaço. Já a vereadora da Cultura na Câmara Municipal de Évora, Cláudia Pereira, diz que a ameaça de recurso aos tribunais "não fará parar" o processo de criação do Museu do Design, composto por cerca de 2500 objectos coleccionados por Paulo Parra, professor auxiliar na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa.

"É uma parceria público-privada cujo protocolo com o coleccionador será assinado em breve", acrescenta Cláudia Pereira, segundo a qual "nada impede" a coexistência de uma colecção de artesanato com outra de design industrial. "A colecção de Paulo Parra intitula-se 'Da pedra lascada ao iPod' e por aí se pode ver que existe uma ideia de continuidade. No fundo, estamos a falar de produtos que são todos eles para massas, pois o artesanato também é produzido em série, não se trata de peças únicas."

Para a câmara e para a ERT, o projecto é ainda justificado com a necessidade de "imprimir uma nova dinâmica" ao Centro de Artes Tradicionais, "transformando-o de facto num museu, através da inclusão e desenvolvimento no seu projecto expositivo de novas valências" que poderão "contribuir para a sua revitalização, captando novos públicos".

sábado, 28 de agosto de 2010

Vamos continuar a recolher assinaturas!



Não desistimos!

Chegados às seiscentas assinaturas na petição on-line decidimos continuar a sua recolha e levar esta denuncia cada vez mais longe. A desinformação lançada à volta deste tema engana as pessoas durante algum tempo, promovendo a inevitabilidade de um "Moderno Museu de Design" neste espaço, mas quando informadas da verdadeira realidade deste assunto a indignação torna-se ainda maior.

Contamos consigo também para, considerando-o justo, passar a palavra.

Petição On-line pelo Centro de Artes Tradicionais Antigo Museu de Artesanato de Évora:
http://www.peticaopublica.com/?pi=P2010N1721

terça-feira, 17 de agosto de 2010

EM DEFESA DO MUSEU DO ARTESANATO!

A Câmara Municipal de Évora e a Entidade Regional de Turismo do Alentejo decidiram instalar uma colecção particular de design industrial (Colecção Paulo Parra)no Centro de Artes Tradicionais, antigo Museu do Artesanato.
A Câmara, e o Turismo do Alentejo que tutela o Centro de Artes Tradicionais, decidiram assim optar contra a opinião publicamente manifestada por cidadãos sob a forma de petição e outras tomadas de posição, atrevendo-se inclusive a contrariar frontalmente o conteúdo de pareceres emitidos pela Direcção Regional da Cultura do Alentejo e pela Comissão de Arte, Arqueologia e Defesa do Património, o mais antigo, respeitado e consensual órgão consultivo do Município.
Mesmo as avisadas recomendações do Instituto Português de Museus e da Conservação, entretanto divulgadas, foram ostensivamente ignoradas pela Câmara e pelo Turismo.
A Entidade Regional de Turismo do Alentejo recebeu da extinta Região de Turismo de Évora a responsabilidade de gerir o Centro de Artes Tradicionais, unidade museológica bem estruturada e de reconhecida qualidade, por sua vez herdeira do antigo Museu do Artesanato, propriedade da Assembleia Distrital de Évora. Todavia, o Turismo do Alentejo revelou-se incapaz de gerir e potenciar o Centro de Artes Tradicionais, e procurou através do Protocolo negociado com a Câmara e com o coleccionador Paulo Parra, descartar-se dessa responsabilidade e dos custos inerentes,
Renegando a defesa e a preservação da marca cultural e da identidade da Região, a Câmara e o Turismo esqueceram uma responsabilidade que os vincula à tradição popular, ao admitir a subalternização do artesanato regional pela instalação permanente no seu espaço de uma colecção de design industrial de matriz supranacional, que nenhum parecer de entidade independente e especializada avalizou, e que vários outros imóveis de qualidade actualmente devolutos no Centro Histórico poderiam receber.
Queremos por isso aqui deixar a marca da nossa indignação, e a garantia de que não nos conformamos .

Adel Sidarus
Carmelo Aires
Carmen Balesteros
Carolina Páscoa
Celestino Froes David
João Andrade Santos
Joaquim Palminha Silva
Jorge Lourido
Magda Ventura
Manuel Branco
Miguel Sampaio
Tiago Cabeça


In Diário do Sul, 16 Agosto de 2010

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Artesanato, o filho enjeitado?...

Exposições de artesanato em Évora

Entrai pastores entrai – 2002 – 20.000 visitantes
Dois caminhos para Belém – 2004 – 10.500 visitantes
O menino pequenino – 2006 – 12.000 visitantes

(Ceia da Silva eleito Presidente do Turismo do Alentejo – 2008)

Presépios do Alentejo – 2009 - 600 visitantes
Dez anos de sorrisos em barro – 2010 - 2.000 visitantes (em seis meses)

Se há coincidencias na vida esta é uma das grandes, pois pelos numeros fica há vista que de facto, e pelas palavras do próprio Presidente do Turismo do Alentejo Ceia da Silva, "Não temos vocação para gerir Museus de Artesanato". Fica a pergunta: se não tem vocação para acarinhar o que deveria promover e é da sua região, que vocação terá a Entidade Turismo do Alentejo?... Promover a industria e o Design de outros paises?... E neste caso de quem é o "falhanço"?... Do Museu de artesanato ou de quem tem a sua responsabilidade?...

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Reflexões em torno de um Museu de Artesanato e de colecções de “design” industrial

(prolegómenos para desfazer confusões)


1. Diferenças entre Museu e Exposição de colecção de objectos

A primeira característica do Museu é a sua existência material num determinado espaço e a sua permanência no tempo longo. Contrariamente à colecção particular que sofre as repercussões das flutuações da fortuna do seu possuidor, e que se pode dispersar após mudança de atitude deste ou após o seu desaparecimento, o Museu sobrevive aos seus fundadores e tem, pelo menos como princípio teórico, uma existência tranquila, livre das estreitas e curtas flutuações da política cultural adoptada por tal ou tal Poder político. Enfim, seja qual for o seu estatuto legal, o Museu é uma instituição pública e, portanto, é mais do que uma colecção.
No acto de fundação de todo o Museu existe o imperativo das autoridades públicas ou de uma comunidade. São estas, por conseguinte, que assumem, depois, as despesas da conservação dos objectos, das colecções, do enriquecimento dos fundos do Museu, do seu pessoal especializado, etc., exercendo naturalmente a tutela sobre a instituição, zelando para que ela esteja conforme o que ficou consignado no texto da Lei. Nesta ordem de ideias, as relações entre os visitantes e o Museu inserem-se numa “economia” da dádiva e nunca por nunca na do mercado. Neste sentido, o bilhete de entrada num Museu não é a contrapartida de um serviço, mas antes uma espécie de oferta do público à instituição.
Visto nesta óptica, o Museu pode ter como exemplo paradigmático o «Metropolitan Museum de Nova Iorque», quando este se dirigia ao visitante com o convite que segue: «Pague o que quiser, mas tem de pagar qualquer coisa»!


2.A dinâmica do Museu e o seu público.


Considera-se normalmente que foi sobretudo após a II Guerra Mundial que o Museu empreendeu especial atenção sobre o seu público e do seu papel junto dele. A afluência crescente de visitantes decorre de circunstâncias específicas e variadas, das quais podemos destacar a procura crescente de instrução, o gosto, os efeitos da publicidade que o próprio Museu promove numa política de divulgação, e até de algumas questões legadas à “moda”, assim como aos movimentos turísticos que alcançam proporções sem precedentes.
Nesta perspectiva, o sucesso do Museu é avaliado a partir do volume de visitas ou do número de visitantes que consegue atrair. Ernesto Veiga de Oliveira (in. Apontamentos sobre museologia-Museus etnológicos, Lisboa, Junta de Investigações do Ultramar, Estudos de Antropologia Cultural, nº6, 1971) chama-nos a atenção para este tipo de consumo que desemboca numa concepção «desumanizada do museu», na qual os aspectos estatísticos sufocam, destroem e negam o sentido fundamental da sua função educativa, pondo-a mesmo em perigo. Na sua opinião criam-se «problemas de espaço e tempo impossíveis (...) de se resolver satisfatoriamente; e é impossível a atenção demorar-se devidamente sobre as peças; as visitas têm de ser apressadas, colectivas (...), superficiais».
Habitualmente, as estatísticas sobre o Museu correspondem quase exclusivamente ao número de entradas, descurando indicadores indispensáveis para avaliar a sua real utilização. Refiro-me especificamente à distinção entre os visitantes adultos e estudantes, nacionais e estrangeiros, nível de instrução, regularidade das visitas, etc.. O que as estatísticas do Museu nos apresentam como o volume de visitantes por ano é, na realidade, o seu número de visitas, e não uma tipificação fiável do visitante.

3.O que é o Artesanato?

O estudo das sociedades e culturas não ocidentais esteve muito tempo sob a alçada da etnografia e da etnologia, ao passo que dependeria do folclore o que persiste de arcaico e tradicional nas sociedades ocidentais. Todavia, com os ensaios de G. Balandier, C. Lévi-Strauss e P. Mercier, a acepção anglo-saxónica do termo antropologia cultural começou a impor-se de país para país. Assim, hoje a antropologia cultural cobre um domínio que vai da antropologia física à antropologia social e aos estudos propriamente culturalistas, passado pela pré-história, pela arqueologia, pela tecnologia, pelas artes e pela linguística.
Seja como for, estas múltiplas abordagens só têm sentido enquanto permitem atingir, finalmente, o homem concreto, ao mesmo tempo sujeito e objecto de cultura de uma sociedade e num meios dados. A etnologia é, nada mais nada menos do que a antropologia cultural dos nossos dias onde, de facto, uma variante pendente se pode inserir, o Artesanato: - Produção de artefactos originados por uma causa primária não controlada, experiência artística oriunda de milenar herança cultural, efectuada com o desconhecimento do experimentador dessa mesma herança, libertando, assim, do núcleo lírico existente na natureza humana, as suas possibilidades catalisadoras, enquanto formas artísticas readaptáveis ao tempo e ao espaço.
O Artesanato é constituído por produtos de múltiplas técnicas tradicionais que unem sempre, de algum modo, a preocupação prática a uma preocupação estética. A primeira pode alcançar o nível ritual e a segunda actuar numa simbólica integral. Se o funcional puro e simples ocupa muito pouco lugar, a arte pela arte é também praticamente impensável.
Inspiração e gosto pessoais não se encontram de nenhum modo excluídos, como também não os “ateliers”, grupos, “escolas” especializadas. No entanto, nas sociedades tradicionais, os criadores individuais ou colectivos permanecem sempre tributários da colectividade e da sua herança cultural.
Os problemas inerentes à obra de artesanato e à sua criação artística, constituem desde há muito uma área de reflexão. E, nesse sentido, o Artesanato é a arte elaborada ao abrigo de todo o constrangimento cultural, na ignorância ou na ignorância fingida de todo o código e na ausência de toda a formação sistemática (escola, academia, etc.,). O Artesanato é a construção da imagem que se funda, por assim dizer, na inocência do olho, na liberdade da mão, na imaginação da técnica, na “selvajaria” do “métier”.
Neste sentido, o reino do Artesanato é singular, único, as suas operações pessoais produzem modelos de imagens elaboradas em função da inspiração solitária, enquanto mensagens mais ou menos complexas, de uma herança tradicional que se propõe transmitir à comunidade social onde está inserido.

4. O que é o “design”? (termo anglo-saxónico)

“Design”, termo inglês recobrindo simultaneamente o sentido dos conceitos de desenho, esboço, criação, projecto, foi adoptado por volta dos anos 60 (do século XX) para designar o esforço criador desenvolvido no sector dos bens de consumo e de equipamento produzidos industrialmente em série. O termo “design” aplica-se geralmente a um objecto em que os factores tecnológicos e funcionais parecem transgredidos, ao nível do sensível, por terem sido submetidos a um tratamento cromático ou plástico, em função do consumo e da “sociedade de consumo”, da atracção média para consumir, de acordo com a distribuição do produto, os hábitos nacionais de consumo, os rendimentos, a estrutura etária da população consumidora, a concorrência do mercado, etc..

5. Conclusão

Na verdade, tudo o que constitui a totalidade de um objecto, considerando a sua forma final, e a operação lógica do pensamento cultural que lhe está na origem, a estrutura do “design” industrial e a do Artesanato são diametralmente opostas e, por conseguinte, nunca por nunca o mesmo design poderá ser alguma vez uma extensão “moderna” do tradicional artesanato. Por conseguinte, subalternizar o Artesanato exposto no «Centro de Artes Tradicionais» em Évora, em virtude da colonização do espaço por uma colecção de “design” industrial de particular, de valor estético (e não só) ainda não aferido por entidade independente e credível, fazer passar esta intenção pela concretização em «protocolo» lavrado especificamente para o efeito, contra a opinião pública que se levanta todos os dias, balizada por pareceres de entidades cultural e institucionalmente responsáveis, não nos parece o melhor caminho para valorizar o património da cidade, do Alentejo e da cultura portuguesa.

Joaquim Palminha Silva, publicado no semanário "a defesa" de 4 de Agosto de 2010.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

O valor da diferença...

Manter uma exposição como a de Artesanato, calculando por estimativa os custos inerentes com dois postos de trabalho, seguros, energia, segurança e afins, custará algo a rondar os três mil (3.000) euros mensais.
Considerando um aumento da despesa a triplicar para o alegado Museu de Design e Artesanato (A Câmara desconhece os valores exactos) teremos na mais modesta hipótese nove mil euros (9.000) de despesa fixa mensal. Mais de cem mil (100.000) euros anuais. Se, como privado que se apresenta, o sr Parra querendo possuir um Museu com o seu nome eventualmente o pagasse de seu próprio bolso, a Câmara Municipal de Évora poderia poupar mensalmente seis mil euros (6.000).
Com esta diferença de seis mil euros a Câmara Municipal de Évora poderia...

- Garantir sustentabilidade Museu artesanato por dois meses.
- Criar cerca de 12 novos postos de trabalho.
- Fornecer 1200 refeições escolares.
- Garantir 15 dias de intervenções de artistas locais e animação do Centro Histórico.
- ...

Estamos abertos a sugestões. Ajude-nos a enriquecer esta lista...

domingo, 1 de agosto de 2010

Algo terá de mudar para que tudo fique na mesma...

O novo protocolo entre a Câmara Municipal de Évora, o Turismo do Alentejo e Paulo Parra.

Novo protocolo, que dir-se-ia feito à medida da contestação pública, altera nome de "Museu de design Paulo Parra" para "Museu de artesanato e design". Composição da futura Direcção do Museu sofre alterações, já incluindo agora a Câmara e o Turismo do Alentejo, mas despesas continuam a cargo do contribuinte e não se prevê prazo para eventual "autosustentabilidade".