quinta-feira, 21 de outubro de 2010

MINISTRA DA CULTURA CONTRA "MUSEU DE ARTESANATO E DESIGN"


Gabriela Canavilhas favorável a "potenciação do actual projecto em detrimento de um novo em sua substituição"

Em resposta à interpelação do Bloco de Esquerda a Ministra da Cultura faz saber também que "a protecção do espólio do CAT é assegurada pela entidade a que está cometida a sua gestão" e não a colecionadores privados, e que "desconhece o projecto museológico" do design.

O MC também refere que para o actual Museu de Artesanato "espera que se possam concretizar melhorias e complementaridades em colaboração com os agentes envolvidos na promoção e desenvolvimento cultural da região Alentejo".

Em suma um valente puxão de orelhas ao Presidente do Turismo do Alentejo Ceia da Silva e ao Presidente da Câmara Municipal de Évora José Ernesto Oliveira. Quanto ao colecionador "icone do design mundial" e seu projecto, no MC nem sequer o conhecem.

Hoje, 21 de Outubro de 2010 o Museu de Artesanato continua de portas fechadas "por falta de pessoal" e o anúncio que prometia a reabertura para dia 25 foi retirado da porta... Relembramos que estava prometida para este mês a transformação de Museu de Artesanato em Museu de Design.

MINISTRA DA CULTURA CONTRA "MUSEU DE ARTESANATO E DESIGN"



quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Museu de Artesanato ENCERRADO POR FALTA DE PESSOAL



Quem passe hoje à porta do CAT Museu de Artesanato de Évora, encontra o aviso: "Estamos encerrados até dia 24 de Outubro por falta de pessoal".


Sabemos que a licenciada que trabalha a contrato, e tanto vende os bilhetes, lava o chão, organiza exposições e faz visitas guiadas, está de férias durante alguns dias. O Turismo do Alentejo (TA) aparentemente não tem mais ninguém para a substituir.

Pelo contrário e segundo o protocolo já acordado quando o "Museu de Artesanato e Design" do colecionador privado abrir, o TA e a Câmara de Évora garantirão pelo menos e com dinheiro do contribuinte: "um funcionário do museu; um funcionário para a loja; um técnico; pessoal de segurança; pessoal de limpeza; pessoal de apoio a processos de candidatura a fundos europeus e outros; uma Direcção do Museu constituida por representantes do TA, da Câmara Municipal e pelo próprio colecionador; dois quadros superiores doutorados em design.

O que nos leva a lamentar estarmos em crise, pois se não estivessemos...

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Évora - Críticos do novo Museu do Artesanato e Design criam associação


A «Perpetuar Tradições» recentemente criada com o objectivo centrado na defesa do artesanato alentejano apoia-se, para já, na luta contra o «fim» do Centro de Artes Tradicionais (CAT) em Évora. O espaço dará lugar ao novo Museu do Design - Colecção Paulo Parra. Tiago Cabeça, membro da nova associação, diz que «está em causa o desaparecimento do CAT» e considera que o Turismo do Alentejo e a autarquia de Évora estão a cometer um «crime», entregando a «memória de um povo» a um privado.(...)

«Não encontramos justificação para isso. Mais que as convicções ou gostos pessoais do presidente da Entidade Regional do Turismo do Alentejo (ERTA), Ceia da Silva, ou do presidente da Câmara Municipal de Évora, Ernesto Oliveira, não existe, até ao momento, uma justificação plausível para esse encerramento. Continuaremos a lutar para o evitar. O responsável da nova associação relembra que «é obrigação legal e estatutária da ERTA e de Ceia da Silva garantir a preservação e divulgação do artesanato à guarda do CAT».(...)

«O próprio Instituto Português de Museus e da Conservação manifestou sérias reservas pela possível extinção de ´um bom projecto´. Por parte do Turismo do Alentejo a razão invocada é: “Paulo Parra é um ícone do Design Mundial”. No mínimo esta será uma razão discutível», explica.(...)

É lamentável que tenhamos de resgatar a nossa cultura, tradição e memória justamente das mãos que deveriam zelar pela sua protecção e divulgação», conclui.(...)

O Café Portugal tentou ouvir o presidente da Entidade de Turismo do Alentejo, Ceia da Silva, mas até ao momento não foi possível uma reacção às posições da nova associação.


In Café Portugal por Ana Clara

sábado, 9 de outubro de 2010

Acta da Comissão Municipal de Defesa do Património continua atrasada

Vai para quatro meses

A acta da ultima reunião da Comissão Municipal de Arte, Arqueologia e Património de Évora continua sem aparecer.

Da responsabilidade do representante da Câmara Municipal de Évora, (no caso a Srª vereadora da cultura Claudia Pereira, para quem o artesanato do Alentejo sobeja nas lojas e não precisa de um Museu) este documento ainda não parece ter conseguido ver a luz do dia.

De facto na dita reunião consultiva desta Comissão, o projecto de acabar com o Museu de Artesanato para o substituir por Design - foi criticado "cerrada e impiedosamente" por todos os membros, à excepção da dita vereadora e do próprio "colecionador de design" que irá beneficiar do negócio.

Segundo nos fizeram constar, a quem lhe pergunta pelo documento a Srª vereadora responde que o mesmo "é de elaboração dificil por a reunião ter sido inconclusiva"...

Afinal são Convicções...

Na ultima conferencia de imprensa promotora do putativo museu de design e artesanato afinal concluiu-se que as "provas" de que o Design atrairá milhares de visitantes a Évora, muitos mais que o Artesanato do Alentejo, não são provas... são convicções. É esta a razão que leva o Presidente do Turismo do Alentejo, Ceia da Silva, e o Presidente da Câmara Municipal de Évora, Ernesto Oliveira, a entregarem um Museu público de um milhão e duzentos mil euros, a um privado de quem ninguém antes ouviu falar: a convicção de que Évora ficará inundada de turistas no dia seguinte...

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Não há duas sem três!*

Joaquim Palminha Silva In A Defesa 30 Setembro 2010

Com o início da actual gestão municipal (em 2001), entramos num vestíbulo onde era suposto sorrir, com visível alegria e entusiasmo, um conjunto de ideias inovadoras (e convívio democrático, aberto, não exclusivista, capaz de aceitar o espírito crítico)… Afinal de contas, fomos vendo paulatinamente que não havia mais do que um “cabide” carregado de “chapéus” de toda a espécie. Enfi m, “chapéus há muitos!...”…
Expliquemo-nos…
Primeiro, surgiu a “ideia-inovadora” (2004) da “Évora-Moda” auto-promovida pela CME e outros “ilustres” parceiros da urbe. Isto é, a organização de um desfi le de “moda” com figurantes mais ou menos vestidos, e a exibição de uma série de mediocridades nacionais da TV e capas de revistas “cor-de-rosa”… Esta “parada” estapafúrdia foi inaugurada face ao templo romano, pelo que a exorbitância de decibéis e outra poluição ambiente na acrópole da cidade, transformaram a iniciativa num gesto vandálico de agressividade patrimonial que “arrepiou”, com toda a razão, alguns agentes culturais e foi objecto na altura de acesa discussão crítica na Comissão Municipal de Arte, Arqueologia e Defesa do Património. O mesmo disparate se repetiu noutra edição da “Évora-Moda”, na Praça de Giraldo, aí massacrando a fonte henriquina e a igreja de Santo Antão… Enfim, além do dispêndio financeiro e vários distúrbios culturais, esta iniciativa resultou numa espécie de “capote rasgado e chapéu roto”, retirados do tal “cabide”, colocando Évora alguns dias fora do recatado lugar de classificada pela UNESCO, para abancar na enxerga da foleirice nacional…
Depois, aconteceu a história caricata (2005) de um cavalheiro de nome Tristan Gillot (portador de passaporte belga) que, enquanto se apresentava como “príncipe” da Transilvânia (?), conseguia convencer a gestão municipal de que tinha capitais para erguer em Évora uma fábrica de pequenos aviões… e, nesse sentido, foi-lhe facultada a cedência de 2 688 m2 de terreno. Esta versão “alentejana” do “conto do vigário” acabou com o cavalheiro (referenciado pela INTERPOL como burlão internacional!) preso pelas autoridades, felizmente sem perigo de maior para os cofres da CME… E lá se foram, saídos do tal “cabide”, outro “capote rasgado” e mais um “chapéu roto”… Évora descia, então, da epopeia patrimonial para esse “crepúsculo” transtagano que é o anedotário alentejano…
Por fim, aparece-nos agora a ideia de “posicionar Évora como um centro cultural integrado nas grandes capitais mundiais do design”, segundo o texto do protocolo firmado entre as instituições Turismo do Alentejo, CME e um particular, por sinal Professor de design na Universidade de Évora e, no caso, proprietário da colecção de objectos a servir de acervo a um denominado “Museu do Design” industrial…
Curiosamente, “museu” a edificar no espaço do extinto Museu do Artesanato actual Centro de Artes Tradicionais, ignorando a existência deste mesmo espaço museológico e seu respectivo acervo, ainda que pálida imagem do que deveria ter sido um efectivo “museu do artesanato” alentejano, etc.. Entretanto, temos de dar conta da nossa perplexidade face à hipocrisia reinante, pois ninguém se atreve a dizer que Évora não necessita de um “Museu de Design” para nada! De resto, é “coisa” perfeitamente descontextualizada aqui e agora (compreendemos o perigo que envolve fazer esta afirmação)!…
Mas pense o leitor com alguma lógica: - Se porventura um Prof. da UE beneficiando de relações íntimas, de privilégio, com a gestão municipal, por “mania” ou gosto científico coleccionasse borboletas exóticas, teríamos obrigatoriamente um “museu da borboleta”, “integrado nas grandes capitais mundiais” das colecções de borboletas? … A actual gestão municipal empenha-se (é um facto!) em encontrar o maior número possível de inovações culturais ou lúdicas que, para além do que já se sabe, coloquem Évora no centro das atenções do turismo nacional e internacional, bem como tem procurado afanosamente atrair investimentos e criar emprego para a população, tal é o caso, por exemplo, da fábrica de origem brasileira de “componentes para aviões” que, como a “Feira de S. João”, todos os anos é inaugurada um pouco mais! Mas nunca mais se transforma em realidade!… Claro que é digno de registo o esforço da gestão municipal, embora não faça mais do que a sua obrigação!
Todavia, acreditamos que deve ser penoso para a gestão municipal organizar desfiles de “moda” que resultaram em fi ascos anunciados, acreditar no primeiro estrangeiro que lhe aparece a “vender a banha da cobra” e, por fi m, embandeirar entusiasmada no “paleio” de um “professor” na Universidade local (que não deve ter pesadelos nem pesos na consciência, pelos estragos que provoca!), que lhe “vendeu” a ideia da cidade vir a ser um “centro internacional” do design… Começando logo a “abrir” caminho pisando aqui e ali, incompatibilizando-se com os agentes culturais da urbe, pessoas singulares e instituições locais, resvalando para o ridículo nacional! Tudo isto deve ser penoso de sofrer para a actual gestão municipal, mas é muito mais penoso para o preocupado e inquieto cidadão eborense…
Na verdade, não há duas sem três! Decididamente, esta gestão municipal teima em fazer do seu trabalho, na área cultural e lúdica, um “cabide” para chapéus! Esta gestão municipal teima em nos desfigurar a cidade, porque se julga moderna, cosmopolita e de “excelência”, mas no meio de uma cidade de casas arruinadas, incapaz de eficácia na simples limpeza e restauro das calçadas urbanas, alterando-nos sem “autorização” referendária praças e jardins, atreve-se todavia a pretender ser “centro cultural” não se sabe do quê, acabando numa prática patética de “troca-tintas” disto e daquilo, que desgosta e envergonha a grande número de eborenses…
Por fi m, faz-se desantendida, não responde aos argumentos dos que a criticam publicamente, responde como “individuo” sofrendo de disfunção crónica, apesar de possuir neste mandato específico vereador da Cultura (lugar desempenhado até aqui pelo Presidente do Município), o seu suposto potencial cultural degrada-se a olhos vistos, a superficialidade e a inelutável leviandade que a acompanha tornou-se prática corrente… Como se diz (ou dizia) nas “passagens de nível” ferroviárias, aventamos este alerta aos cidadãos eborenses, sempre que tenham de se relacionar com actual gestão municipal, área cultural e não só: – PARE, ESCUTE E OLHE!!!
Para não serem atropelados pela asneira, celindrados pela crónica disfunção do raciocínio ou esmigalhados pela bacoquice mental!
“Chapéus há muitos”…
* Esta crónica volta a ser publicada com modificações, porque infelizmente a “estrutura” cultural bem como a mentalidade corrente, no seio do executivo municipal, continua inalterável… Isto é, se houve mudança foi para pior!