terça-feira, 30 de novembro de 2010

O corpo sangrento...do Alentejo

É do conhecimento de filósofos e historiadores ou de quem estudou e não esqueceu os seus ensinamentos, que as sociedades saídas do “ódio” (fruto da ignorância) ao tradicional, às raízes ancestrais defendendo com orgulho bacoco a “modernidade”, assinalam-se em grande parte por carradas de imoralidades desoladoras, onde a vida das raízes culturais mais ancestrais e as instituições suas defensoras valem menos do que pequenas ambições inexplicáveis ou, às vezes, caprichos passageiros...
O “corpo sangrento” do «Centro de Artes Tradicionais», uma vez encerrado pela Câmara Municipal de Évora, com a conivência da instituição de Estado denominada «Turismo do Alentejo», lança uma sombra que entenebrece por completo um Presidente de Câmara Municipal filho do Alentejo e, portanto, do mundo rural e tradicional mais característico, isto é, um cidadão oriundo da vila de Cuba, talvez uma das vilas alentejanas onde a tradição ligou o “cante” , o artesanato e formas de sociabilidade específicas, de forma mais conseguida!
Será que alguns alentejanos instalados no Poder de Estado (Autarquias e instituições disto e daquilo), começaram agora a ter vergonha das suas raízes, da sua terra-mãe?! Será que agora, manifestando escandalosa indiferença pelas origens, há uma classe de gente que julga que o design industrial, os desfiles de moda (afinal de contas de quem não sabe atar as ligas!), o servilismo bezunta de um “turismo” desgastado face ao estrangeiro, e outras mecanizadas e electrónicas patetices pós-modernas, é que nos trazem “consideração” internacional e respeitabilidade cultural?!
Esta gente não é de “direita”, do “centro” ou de “esquerda”! Esta gente não é parecida com nada!!!
O Alentejo está de luto!
Fecharam o «Centro de Artes Tradicionais»... como quem acintosamente sabe que está a “renegar a mãe”... de que têm “vergonha”! Como quem sabe que está a dizer que “tem vergonha” das suas raízes rurais!
Que obscenidade estes alentejanos! Que Deus lhes perdoe o mal que andam a fazer ao Alentejo!
O Alentejo está de luto!

Palminha da Silva in A defesa

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O ARTESANATO, A MEMÓRIA E A FELICIDADE (1)

Por Francisco Martins Ramos In Diário do Sul 24 de Novembro de 2010
Antropólogo, Professor Emérito da Universidade de Évora


Uma certa massificação de apoios ao artesanato nacional - por vias autárquicas, empresariais e da União Europeia - já conduziu a situações caricatas de concorrência inesperada: em feiras internacionais, tapetes em ponto de Arraiolos, feitos por mãos tristes e pobres de mulheres filipinas, chinesas e brasileiras, surgem por menos de metade dos nossos preços. Parece que a moda não vai ter continuidade: as artesãs filipinas, chinesas e brasileiras precisam muito do pão para a boca, mas não possuem a tradição cultural que lhes permita a assimilação do bordado arraiolense. É um fenómeno contra a natureza das suas culturas.

A actividade artesanal, elemento essencial das sociedades pré-industriais, vê-se confrontada, nos dias que correm, com os desafios que as fantasias de uma certa pós-modernidade lhe impõem. Nestes breves apontamentos, tentarei focar aspectos importantes dessa problemática face às encruzilhadas do futuro. Antes disso, porém, tornam-se necessárias algumas considerações preliminares que nos ajudem a compreender melhor a questão em causa.

A sedimentação cultural do homem alentejano foi um processo moroso, progressivo e relativamente recente. Tão recente como o povoamento sistemático do sul do País. Para além disso, a identidade cultural do Homem transtagano está amalgamada (como Português - produto cultural), através de contributos e inputs variados como o greco-latino, o indo-europeu, o árabe e o judaico, num processo que acaba por solidificar tardiamente.

O artesão produz, possui propriedade sobre o produto do seu trabalho e sobre o seu instrumento (!!). Para além da importância destes aspectos jurídicos, outra ordem de factores é determinante para a afirmação artesanal: questões económicas, artísticas, intelectuais e culturais.

Os artefactos são objectos de vida gerados por dedos dóceis ou por mãos habilidosas e calejadas por trabalhos doutros tempos, que sabem dar forma estética e prática ao embaraço que a imaginação do artesão sabe domesticar.
A transferência do carácter utilitário da obra produzida para funções estético-decorativas não deixou também de provocar uma machadada no fluxo artesanal que passou do campo da necessidade para a área do desejo e do estético, muito condicionada economicamente pela situação do comprador.
Apesar da tardia industrialização portuguesa e da fraqueza do processo a nível da região Alentejo, há uma vintena de anos apenas as mantas de Reguengos, os pratos do Redondo e de São Pedro do Corval e os tapetes de Arraiolos tinham ultrapassado (e mal) as fronteiras da vulgaridade.

Mas o artesanato tem sobrevivido num país rural como o nosso, apesar da abundância de factores conducentes à sua morte. Somos um país de artesãos, a vários níveis. O que parece o gracejo da metáfora (que o é) tem raízes profundas na nossa periferia cultural, intelectual e tecnológica.

No Alentejo o artesanato é, ainda, uma fonte inesgotável, de acordo com a disponibilidade e riqueza dos materiais, as necessidades impostas pela vida rural (e urbana) e a criatividade dos artífices. Numa região onde a ruralidade é um valor, o Alentejo gerou a manutenção de produtos artesanais ligados ao sector primário; por isso, algumas profissões tradicionais chegaram até aos nossos dias, nomeadamente na sua vertente utilitária. Em contra-partida, a normalização industrial, o fabrico em série, a redução dos custos de produção e o desenvolvimento tecnológico acabaram por sufocar as actividades complementares da agricultura, que perderam utilidade e funcionalidade.

A situação agonística de algum artesanato é bem ilustrada pelo desabafo de um septuagenário cesteiro alentejano, que já só faz cestos “quando está triste, quando tem saudades dos filhos e quando a mulher o amola”.
Cada artefacto é uma obra-prima que legitima a mestria do artífice, de braço dado com a sua imaginação, na aventura do belo, privilegiando a função utilitária ou decorativa, aqui e além jogando com a integração tecnológica e traduzindo-se em incorporação pessoal e afirmação afectiva.

É uma realidade indesmentível que a magia artesanal se encontra, se molda, se esconde, se desenha, se tece, se afaga e se burila nas mãos e nos pensamentos dos mais velhos. Estes, que constituem, afinal, a fonte de toda a cultura tradicional, são o elo de ligação com outras gerações, não apenas para matar saudades e encher os manuais de nostalgias, mas como verdadeiros transmissores de saberes antigos, que se actualizam permanentemente e que é preciso guardar no coração da identidade alentejana.

Parafraseando muito a propósito Sommier (1984), posso concluir afirmando que o artesanato é como a felicidade – só no momento em que desaparece é que damos conta do seu valor.


Bibliografia

RAMOS, Francisco Martins
2000 “Cestaria”, “Pedra”, “Metal”, Artesanato da Região
Alentejo, Lisboa: IEFP
1998 “Artes e Ofícios”, Guia da Oferta Turística da Região de
Turismo de Évora, Évora: RTE

SOMMIER, Gilbert
1984 Presente y Futuro de las Artesanías en la Sociedad
Industrial, Madrid: Ministerio de Industria y Energia

sábado, 20 de novembro de 2010

Vem aí o museu da vergonha.

Museu de artesanato de Évora encerrou.

O museu de artesanato de Évora, que existia desde 1962 e que foi alvo de remodelação há apenas dois anos, com mais de um milhão de euros pagos pelo contribuinte, encerrou para novas obras de adaptação. Vai ser entregue a um privado, ao alegado professor Paulo Parra, para nele fazer o seu museu do design e da vaidade pessoal. Para ser famoso basta isso. Não é necessário prestar serviços públicos de relevância. Não é preciso destacar-se em prol da comunidade. Basta comprar uma colecção de qualquer coisa e pôr os amigos e os jornais a dizer bem dela. Bem ou mal, não interessa. Basta encontrar dois deslumbrados que mandem alguma coisa de interesse público e convencê-los que somos um “ícone mundial”. Será o museu do amiguismo de Évora. Vai ser conhecido a nível nacional como a prova que ser amigo do poder compensa. O museu que num país civilizado seria um caso de polícia. A prova de que ter amigos nos lugares certos nos dá impunidade total e nos permite parasitarmos o contribuinte até ao limite da racionalidade, da vergonha e para além destas. Vai ser o museu da cunha. Da inimputabilidade política que demonstra que não existe justiça neste oeste selvagem que é o nosso país, onde o povo é manso e não se importa até de passar fome no lugar de questionar a classe política medíocre que nos rege. Vai ser o museu da vergonha de Évora. O museu dos que não querem saber da sua terra nem da sua cultura. Dos que dão mais importância à aparência de fazer alguma coisa. Dos que preferem a mesquinhez do diz que disse que o futuro que deveriam construir para os seus filhos. Vai ser o museu que prova que somos os porcos da europa. Que estendemos a mão como pedintes porque não temos o que comer e que mal nos apanhamos com ela cheia fazemos festas de arromba para os amigos, com os europeus que nos deram a esmola de boca aberta a verem este espectáculo. Vai ser o museu de Ceia da Silva, presidente do turismo do Alentejo, e de Ernesto Oliveira, presidente da câmara municipal de Évora, e das suas raivas e rancores contra esta cidade que não compreendem e que em boa verdade nunca os aceitou. Será o museu também da sua inimputabilidade política. Um dia terão de se explicar. Não à sociedade. Terão de se explicar aos seus filhos e netos. Vão ter de encontrar uma desculpa para este acto bárbaro e odioso. O prazer de mandar por mandar é um prazer pífio. É o vazio dos medíocres. Gerir com saber, justiça e sensibilidade está muito para lá do conhecimento de pequenos tiranetes de província. Exige homens com H grande. Homens maiores que a sua saloia vaidade pessoal. Homens a sério.
Que Deus vos perdoe.

Tiago Cabeça
Artesão
in Semanário Registo 18 Novembro de 2010



terça-feira, 16 de novembro de 2010

MUSEU DE ARTESANATO DE ÉVORA ENCERROU HOJE

Apenas dois anos após a sua reabertura, que custou mais de um milhão de euros ao erário público, encerrou hoje o CAT, Centro de artes tradicionais, antigo Museu de artesanato de Évora que existia desde 1962.

Segundo o Turismo do Alentejo, que afirmou "não ter verba nem vocação para gerir museus", foi encerrado para obras de adaptação ao novo museu de design e artesanato Paulo Parra.

O Museu privado de design tem abertura prevista para o verão de 2011 e, segundo protocolo estabelecido entre a Câmara, o Turismo e o coleccionador, será suportado pelo contribuinte até 2021.

sábado, 13 de novembro de 2010

Prémio: será que também faz telenovelas?...

"não há ali qualquer ilegalidade."

Inês Secca Ruivo
"Icone do design mundial" segundo Ceia da Silva; docente de design na Universidade de Évora; futura directora do putativo museu do design, aqui no papel de... porta voz do Turismo do Alentejo, a responder à jornalista do Público.

O artesanato, o design e o museu que Évora não sabe se quer ter



Por Joana Amaral Cardoso in Público 13 Novembro de 2010

Exemplares de peças icónicas do design industrial, tapeçarias de Arraiolos centenárias. O Museu de Artesanato e do Design pretende fundir uma importante colecção de design industrial e uma de artesanato. A ideia gerou polémica, mas avança no Verão de 2011

Será possível um acordo que junte estes dois acervos num mesmo espaço?
Uma opção cultural ou uma guerra política?

--------------------------------------------------------------------------------

Parecia uma história simples: o designer e docente Paulo Parra queria ter a sua importante colecção de design industrial exposta ao público em permanência; a Câmara de Évora e a Entidade Regional de Turismo do Alentejo atribuíram-lhe um espaço. Porém, esse é o mesmo espaço do Centro de Artes Tradicionais (CAT) de Évora. E assim nasceu uma polémica.

O Ministério da Cultura (MC), entretanto, opinou que "é favorável à potenciação do projecto existente, em detrimento da criação de um novo projecto que o substitua", manifestando-se, ainda que apenas com um papel de "mediador", como indicou ao PÚBLICO, contra o plano de um novo museu no espaço do CAT. Esse plano foi firmado num protocolo assinado em Julho e prevê a junção dos dois acervos num só Museu do Artesanato e do Design - Colecção Paulo Parra e avança por decisão do Turismo do Alentejo, gestor do espaço.

O pomo da discórdia mora então no Largo 1.º de Maio, junto à conhecida Capela dos Ossos. Trata-se do antigo Celeiro Comum, ocupado desde 2007 pelo CAT de Évora. O edifício setecentista tem cerca de 500 m2 de área expositiva útil e deve, de acordo com o protocolo entre a Câmara de Évora, o Turismo do Alentejo e o coleccionador, acolher um museu que as partes consideram que irá contribuir para "o rejuvenescimento cultural" da cidade e para a colocar "no roteiro das capitais do design".

Oposição ao fim do CAT

A iniciativa coube ao Turismo do Alentejo, que quis acolher um espólio de mais de 2500 peças que já em 2006 suscitara o interesse do então Museu do Design do Centro Cultural de Belém e, mais recentemente, do Museu do Design e da Moda. As obras de requalificação do CAT para acolher o novo museu estão orçadas em cerca de 15 mil euros e a abertura está agendada para o Verão de 2011, para capitalizar o maior fluxo de turistas.

Desde a Primavera que um grupo de cidadãos contesta o plano. Há uma petição online com cerca de 680 subscritores e a recém-criada associação Perpetuar Tradições, dirigida pelo artesão Tiago Cabeça, agrupa cerca de cem artesãos, ex-dirigentes e historiadores que prometem "accionar todas as providências que o Estado democrático permite" para impedir a fusão dos dois espólios num sítio que pertence ao CAT, como diz João Andrade Santos, da direcção da associação e ex-dirigente (CDU) da extinta Região de Turismo de Évora, que instalou o centro.

Mas numa coisa tanto os detractores do projecto quanto os seus defensores concordam: "O turista que vem a Évora vem a uma cidade Património da Humanidade à procura da sua identidade", diz Inês Secca Ruivo, designer e docente da Universidade de Évora, que será com Paulo Parra membro da direcção executiva do futuro museu. "Mas deve haver uma oferta diversificada", sublinha. E aqui nasce a discórdia. "Uma colecção de design industrial é produto de um outro tipo de cultura, da globalização - são coisas diferentes", assinala Carmelo Aires, ex-vereador (PSD) e membro da direcção da Perpetuar Tradições.

Identidade e diversidade

Secca Ruivo acha que os eborenses têm "outras preocupações", mas a Perpetuar Tradições diz defender a identidade da região. Depois da contestação inicial o protocolo foi revisto e passou a contemplar a junção dos dois acervos. No futuro museu, a ideia é juntar tapeçarias centenárias e olarias do CAT a exemplares das primeiras máquinas de barbear eléctricas, das icónicas máquinas de escrever Olivetti ou dos primeiros walkman da colecção Paulo Parra. Inês Secca Ruivo, que fala em nome do presidente do Turismo do Alentejo, Ceia da Silva, e do coleccionador Paulo Parra - que dirige o curso de Design da Universidade de Évora e é docente na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa -, frisa: "Não é nosso objectivo acabar com a exposição de espólio de artesanato regional, mas sim potenciar o projecto actual, que está moribundo."

Separar custa mais

Em Julho, técnicos da Rede Portuguesa de Museus e da Direcção Regional de Cultura visitaram o Celeiro Comum e indicaram "uma inadequação da proposta de criação de um novo museu, neste espaço e em sua substituição", em parte porque "os dois espólios constituem diferentes narrativas museológicas". Apontando falhas de acompanhamento científico do trabalho do CAT, sublinham os "altos custos da desactivação de uma instituição estruturalmente bem concebida e que pode ser potenciada" com mais meios. O MC, interpelado pelo PÚBLICO, corrobora esta decisão.

A única solução para este diferendo, questionou o PÚBLICO, seria a mudança de espaço? A Perpetuar Tradições sugere alternativas (os Armazéns da Palmeira, os Celeiros da EPAC), mas Inês Secca Ruivo diz que a escolha do Celeiro Comum se deve aos desejos do Turismo de poupar recursos - um novo espaço exigiria mais despesa - e de entregar a gestão "a uma equipa com competências". "Não há conhecimento de outra Região de Turismo da Europa que tenha a seu cargo a gestão de um espaço cultural", diz, fazendo eco da vontade do Turismo de se afastar desse papel.

E como uma questão financeira não vem só, os contestatários lembram que foram investidos fundos comunitários nas obras no Celeiro Comum. Responsável pela instalação do CAT, João Andrade Santos considera que o futuro plano para o espaço é "pilhagem de meios públicos". A recuperação custou 1,1 milhão de euros, em parte vindos do programa Leader. O Ministério da Cultura frisa que o uso desses apoios comunitários "obriga ao cumprimento das funções para que foram aplicados".

Ceia da Silva não faz comentários sobre o projecto do Museu do Artesanato e do Design e Inês Secca Ruivo apenas pôde dizer que "não há ali qualquer ilegalidade. O espaço pertence ao Ministério das Finanças e foi cedido ao Turismo do Alentejo. O proprietário é que tem a autorização de uso do espaço".

Com o projecto em curso e obras agendadas para breve, Inês Secca Ruivo dizia, ainda assim, ao PÚBLICO: "Esperemos que não tenha de ser mais uma colecção a sair [do país]." Já a Perpetuar Tradições prometia "tentar impedir que o projecto do CAT seja liquidado". "Se os nossos meios não forem suficientes, seremos os primeiros visitantes do museu para analisar tudo o que diga respeito ao acervo de artesanato. E cá estaremos para lhe pedir contas", promete Andrade Santos.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A ASSOCIAÇÃO “PERPETUAR TRADIÇÕES” ELEGE OS SEUS ORGÃOS SOCIAIS

A Assembleia Geral da associação “Perpetuar Tradições”, reunida ontem (10 de Novembro) na sede do Grupo Pró-Évora, aprovou o Regimento Interno, votou o montante da jóia e da quota anual, discutiu a actividade a desenvolver ainda durante o ano de 2010, e elegeu os Corpos Sociais.
A Mesa da Assembleia Geral é presidida por Adel Sidarus, e conta ainda com Manuel Branco e Joaquim Palminha Silva. Para a Direcção, presidida pelo artesão Tiago Cabeça, foram também eleitos António Carmelo Aires, João Andrade Santos, Celso Mangucci, e José Miguel Sampaio. O Conselho Fiscal é formado por Jorge Lourido, Carolina Páscoa, e Marcial Rodrigues.

A “Perpetuar Tradições”, cuja criação teve origem no movimento em defesa do antigo Museu do Artesanato de Évora, vai dedicar as últimas semanas de 2010 à instalação física e administrativa da Associação. Mas não vai esquecer a intervenção no campo da informação em defesa do projecto do Centro de Artes Tradicionais, bem como uma diplomacia activa junto das entidades políticas e administrativas que podem ter influência no caso.

A Associação vai ainda abrir uma frente de trabalho virada para a divulgação de temas ligados à cultura popular, ao artesanato, e ao meio rural, mobilizando para o efeito o apoio técnico e científico adequado.
Finalmente, e a partir do debate iniciado nesta Assembleia Geral, a Associação lançou um processo de recolha de sugestões e propostas com vista à elaboração pela Direcção da proposta de Plano de Actividades e Orçamento para o próximo ano de 2011.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

I ASSEMBLEIA GERAL DA PERPETUAR TRADIÇÕES - ASSOCIAÇÃO

Caro Consócio,

No passado dia 10 de Setembro, no seguimento da movimentação cívica em
defesa do antigo Museu do Artesanato, foi formalizada a criação da
associação PERPETUAR TRADIÇÕES, que se propõe desenvolver a sua actividade
em prol da cultura popular da nossa Região.

Foi lançado um apelo à adesão de todos os potenciais interessados, e em
particular daqueles que tinham apoiado a petição pública contra a destruição
ou desvirtuamento do projecto do Centro de Artes Tradicionais, e as
inscrições de novos sócios permitem já passar à fase seguinte.

Vimos por isso convocar todos aqueles que tenham formalizado a sua inscrição
como sócios para a primeira

I ASSEMBLEIA GERAL DA PERPETUAR TRADIÇÕES - ASSOCIAÇÃO que terá lugar em primeira convocatória no dia
10 de Novembro, às 21.00 horas, na
Sede do Grupo Pró-Évora, na Rua do Salvador, 1
, em Évora, com a seguinte

ORDEM DE TRABALHOS

1.Apresentação da Associação, e outras informações.
2.Discussão e aprovação do Regulamento Interno.
3.Apresentação de listas de candidatura, e eleição dos Corpos Sociais.
4.Actividades previstas, e apresentação de propostas e sugestões para os
Planos de Actividades e Orçamentos de 2010 e 2011.
5.Fixação dos montantes da jóia e da quota.
6.Diversos.

Caso à hora marcada não esteja presente a maioria dos sócios, a Assembleia
Geral reunirá em segunda convocatória meia hora depois, com qualquer número
de associados.

Com os melhores cumprimentos,

Tiago Cabeça
António Carmelo Aires
João Andrade Santos

sábado, 30 de outubro de 2010

Prémio: auto-sustentabilidade garantida

"Temos confiança no coleccionador que afirma chegará à auto-sustentabilidade do projecto muito rapidamente"
Claudia Pereira
Vereadora da Câmara Municipal de Évora
sobre a despesa para o contribuinte do futuro Museu de Design


"O sucesso do Museu da Moda e Design (MUDE) não tem saído barato ao erário público (...) Antonio Costa (presidente da Câmara de Lisboa) voltou a mencionar a sua intenção de o transformar numa fundação de modo a angariar parceiros privados que possam ajudar a suportar os seus "avultadíssimos custos".
In Público 30 de Outubro 2010

Câmara de Lisboa fez um contrato de 125 mil euros sem concurso.


O Ajuste directo relacionado com pessoal para o Museu do Design e da Moda (MUDE) foi feito ao abrigo de regra que o autoriza, quando não há mais ninguem capaz de fazer o serviço.
A Câmara de Lisboa entregou 125 mil euros sem concurso público, a uma associação sem fins lucrativos que está a assegurar o atendimento ao público no MUDE durante um período de seis meses. O serviço é executado por perto de sete dezenas de jovens finalistas de cursos de artes, pagos a 4,5€ à hora, pela associação Aumento d´ideias.

De acordo com a directora do MUDE Barbara Coutinho ... "Ajudou a criar não um serviço mas um programa educativo". Uma das fundadoras da Aumento D'Ideias, a artista plástica Natercia Caneira garante que a associação não retira desta prestação de serviços qualquer lucro.

Totalizaram mais de um milhão de euros as três dezenas de ajustes directos celebrados pela Câmara de Lisboa com empresas privadas para aquisição de bens e serviços para o MUDE (...) que também é financiado pelo Turismo de Portugal.

"Era importante que o Tribunal de Contas verificasse atentamente os ajustes directos feitos para este Museu" Diz o vereador do CDS-PP António Carlos Monteiro, (...) que nalguns casos são de legalidade "mais que duvidosa".

(...) O sucesso do MUDE não tem saído barato ao erário público. Ainda esta semana Antonio Costa (presidente da Câmara de Lisboa) voltou a mencionar a sua intenção de o transformar (o MUDE) numa fundação de modo a angariar parceiros privados que possam ajudar a suportar os "avultadissimos custos" de funcionamento do Museu.

Ana Henriques in Público 30 de Outubro de 2010

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Sob o pesado manto do “Observatório de Turismo do Alentejo”, esconde-se a verdade nua da mesquinhez “institucional”? *


O dique das mistificações rompeu-se!
Mesmo que ainda subsista aqui e ali a aparência de uma ténue urbanidade, de um mitigado cosmopolitismo, bastou pequena contrariedade, choque mínimo das absurdas pretensões contra a lógica da realidade cultural da Região Alentejo, para fazer ruir o marketing “pseudo-institucional” da entidade “Turismo do Alentejo”…

*
Palavras de circunstância do presidente da “Turismo do Alentejo”, ERT, no acto de lançamento público (5/10/2010) do “Guia de Museus do Alentejo”, ocorrido no claustro do Museu de Évora, com a presença (em traje “descontraído”) da Senhora Vereadora da Cultura do município eborense, bem como técnicos superiores do dito Museu: “Entendemos ser necessário haver um conjunto de guias de produto (turístico) que dessem uma resposta sistemática relativamente à oferta existente em toda a região”.
*
Entretanto, no dia 14 de Outubro do corrente ano, sobre a porta do “Centro de Artes Tradicionais”, antigo “Museu do Artesanato de Évora”, a direcção da entidade “Turismo do Alentejo” mandou colocar um aviso (anexo) em português, inglês e espanhol: - Aí se declara que a unidade museológica se encontra encerrada até 24 de Outubro… por falta de pessoal!


Esta declaração pública sobre a falta de pessoal (férias da única licenciada, técnica superior de serviço, que além de ter de cobrar as entradas no espaço, costuma ocupar-se da lavagem do chão, organizar exposições periódicas e fazer as visitas guiadas), aponta-nos um anormal exercício dirigente da tutela, testemunhando, assim, e pela primeira vez, talvez sem se aperceber, a sua assombrossa incúria na administração dos espaços museológicos sob a sua administração (“Turismo do Alentejo”), das suas inesperadas insuficiências de organização que, depois dessa “história” de querer fazer um museu do “design industrial” à custa do apagamento do espaço museológico do artesanato, lhe vão custar, dizia, um galope de gargalhadas!!! Vemos, portanto, como são fortes os traços culturais que ligam organicamente os dirigentes do “Turismo do Alentejo” à própria Região; como se pode ir da edição do “Guia de Museus do Alentejo” ao encerramento de unidade museológica…
Independentemente das divergências políticas que o cidadão possa ter com o PS no exercício do Poder (no Alentejo), esta forma de organizar e dirigir, refractária aos interesses da Região, não é favorável para a imagem do partido destes senhores e senhoras, com o inusitado suplemento de ser vergonhosa para o Alentejo!
____
* Não era minha intenção voltar a falar do”centro de artes tradicionais” e da entidade “Turismo do Alentejo”… No entanto, verificamos que há um “misterioso” sentido do arbitário e da estultícia, que leva nomeados dirigentes politicos regionais a prestarem vassalagem à banalidade pré-ordenada (secretamente?), bem como à disfuncionalidade crónica e ao dilacerante non-sense …

Palminha da Silva in "A defesa"

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Museu do Design - Muita Parra pouca uva...

Ontem teve lugar na Antena1 um debate que versou a manutenção do Centro de Artes Tradicionais enquanto tal, no espaço que hoje ocupa, ou a sua substituição por um Museu de Artesanato e Design ou Design e Artesanato a criar.
Participaram nesse debate a Dra Cláudia Pereira em representação da CME enquanto Vereadora da Cultura, a Dra Ana Borges, em representação da Direcção Regional da Cultura e o Dr Carmelo Aires em representação da "Perpetuar Tradições".
Ao contrário do que foi afirmado na introdução do debate, a Perpetuar Tradições não é uma Associação de Artesãos, é uma Associação com artesãos, mas é acima de tudo uma manifestação de cidadania por parte de muita gente, que não apenas de Évora concelho e que se bate pela defesa do Artesanato Alentejano, defendendo por isso a manutenção nos moldes actuais do referido Centro de Artes Tradicionais.
Convém referir que quem está encarregue da gestão do CAT é a Direcção Regional de Turismo, sendo ela por isso a responsável pelo declínio do espaço, pela pouca consistência do mesmo enquanto projecto, (actualmente entenda-se) pela constante diminuição do fluxo de visitantes que se tem verificado ano após ano.
Não existe da parte desta entidade um esforço visível e honesto para contrariar esta tendência. Pelo contrário tem-se verificado um progressivo e negligente desinteresse (será negligente?) de molde a colocar como alternativa à suposta falta de viabilidade; o fecho ou a reciclagem.
Recordo que um dos argumentos para a eutanásia é a falta de verba, mas, por outro lado, quem vai arcar com as despesas de instalação da colecção de design é a ERT. Em que ficamos?
Em relação à autarquia que afirma não ir ter despesas para além da contratação de um funcionário e daquelas decorrentes do funcionamento do espaço, lembro que já o poderia ter feito em relação ao actual projecto museológico, evitando assim que ele encerrasse portas por causa das férias da sua única funcionária...
Não vou referir aqui da viabilidade do Centro de Artes Tradicionais, já que de todos os pareceres emitidos pelas mais diversas entidades, não houve um único que sustentasse a posição assumida pela tríade Coleccionador, CME e ERT, pelo contrário todos inequivocamente se manifestaram a favor das pretensões da Perpetuar Tradições.
Não cabe também neste espaço polemizar com a Sra Vereadora da Cultura, mas recordo que não foi apenas o Centro de Artes da FCG que subiu ao Parlamento... a questão aqui em debate também. Pronunciando-se a ministra da Cultura de forma demolidora em relação às pretensões da tríade. Aliás outra coisa não seria de esperar; ou ter-se-á esquecido a Sra Vereadora das questões postas pela Assembleia da República à Câmara de Évora acerca da viabilidade do projecto, questões essas que não obtiveram oura resposta que não fosse sacudir a água do capote dizendo que a ideia partiu da ERT e do Coleccionador, tendo a Câmara sido convidada apenas no início de 2010? Data essa que pelos vistos não corresponde à verdade, já que a Sra Vereadora afirmou neste debate ter a Câmara conhecimento do projecto, pelo menos desde o final do ano passado.
A falta de transparência retira toda a credibilidade a quem a pratica. Desde o início desta luta de cidadania que a informação tem sido sacada a conta-gotas e pior; o que nos é dito, a nós que detemos o poder e o delegamos através de eleições, nunca corresponde à verdade.
Afinal quem julgam os senhores que são?
Quem julgam os senhores que vos paga os ordenados?
Para quem pensam os senhores que trabalham?
Haja respeito!

Miguel Sampaio

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Prémio: estará a ver alguma coisa que mais ninguém vê?...

Setecentos cidadãos em petição assinada são contra...
Grupos de defesa do Património são contra...
Comissão Municipal de Defesa do Património é contra...
Delegação Regional da Cultura do Alentejo é contra...
Instituto Português dos Museus e Conservação é contra...
Gabriela Canavilhas, Ministra da Cultura, é contra...

"Concerteza que é para avançar!"

Claudia Pereira
vereadora da cultura da Câmara Municipal de Évora sobre a substituição do Museu de Artesanato publico de Évora pelo Museu do Design privado a suportar pelo contribuinte.
Antena 1; 26 Out 2010

Multimédia RTP


Multimédia RTP

Debate Museu de Artesanato Versus Museu Design e Artesanato Antena 1
26 Outubro 2010, 13h30

Debate na ANTENA 1 - 26 Out 2010

"A Delegação Regional de Cultura do Alentejo não é favoravel a esta junção (artesanato e design)" ...

"O espaço fisico em área não permite estas duas colecções em exposição." ...

"O actual espólio de Artesanato é de grande qualidade"

Ana Borges pela Delegação Regional de Cultura do Alentejo

_____________________________________________________________________________________

"Nunca fomos contra o design, mas existem outros espaços que poderiam servir para essa colecção, por exemplo: o armazém da Palmeira, os antigos Celeiros. "

"Não lhe foi permitido a concretização enquanto projecto de artesanato"Carmelo Aires pela Perpetuar tradições associação
_____________________________________________________________________________________

"Esta ideia não partiu da Câmara Municipal de Évora, partiu do Turismo do Alentejo e do colecionador" ...

"Não há espaço mas nenhuma colecção (Design ou Artesanato) estará permanentemente em exposição. Haverá itinerâncias"...

"A Câmara não encontrou outro espaço (...) pois qualquer outro seria uma despesa incomportável"

"Não é conta nossa não sei quanto vão custar" (as novas obras de adaptação)

"Interessa à Câmara que este espaço seja digno..."

Claudia Pereira vereadora da cultura da Câmara Municipal de Évora

Inquérito

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Comunicado da Associação Perpetuar Tradições

1. A Perpetuar Tradições-Associação de Defesa do Artesanato do Alentejo acaba de tomar conhecimento da resposta de Sua Excelência a Ministra da Cultura a requerimento feito na Assembleia da República pelo Bloco de Esquerda sobre o “Encerramento do Centro de Artes Tradicionais/Antigo Museu do Artesanato”.

2. Nessa resposta declara a Senhora Ministra, entre outras considerações, que “a posição do Ministério da Cultura é favorável à potenciação do actual projecto museológico em detrimento da criação de um novo e em sua substituição”.

3. Face a esta declaração do Ministério da Cultura ficam em posição insustentável a Entidade de Turismo do Alentejo e a Câmara Municipal de Évora promotores da ideia de alterar o projecto museológico do Centro de Artes Tradicionais de Évora/Antigo Museu do Artesanato.

4. Para a Perpetuar Tradições, que desde o início deste processo se opôs frontalmente à desvirtuação do Centro de Artes Tradicionais, chegou o momento de a Turismo do Alentejo e a Câmara Municipal de Évora arrepiarem caminho e abandonarem a ideia de instalar uma colecção privada de design no Centro de Artes Tradicionais, de cujo projecto de musealização nem sequer deram conhecimento ao Ministério da Cultura, não se coibindo, entretanto, de propagandearem a ideia de que iriam fazer dessa colecção privada o primeiro grande museu de design da Península Ibérica e uma referência mundial.

5. Entretanto, numa táctica bem conhecida de desinvestimento, a Turismo do Alentejo, que gere o Centro de Artes Tradicionais de Évora, fechou-o durante as férias da única funcionária que lhe afectou; e no Guia de Museus do Alentejo que ela própria acaba de editar mandou retirar qualquer referência ao único “museu” de que é responsável, exactamente o Centro de Artes Tradicionais de Évora, assim o desacreditando e fazendo com que seja ignorado, menos procurado e visitado, para melhor justificar o seu propósito de ali instalar uma colecção particular de design.

Évora, 25.10.2010.

Perpetuar Tradições – Associação de Defesa do Artesanato do Alentejo

CAT Museu de Artesanato: o patinho feio dos Museus do Alentejo

Publicação da responsabilidade da ERT não inclui Museu da responsabilidade da ERT

Chega-nos a noticia que o novo guia dos Museus do Alentejo, lançado este mês de Outubro de 2010 e que é justamente uma edição da Entidade Regional de Turismo (ERT) do Alentejo, não inclui o Centro de Artes Tradicionais, Museu de Artesanato de Évora.

De facto este que é o unico Museu à responsabilidade da ERT não teve direito a constar nesta edição, assim como nunca chegou a fazer parte da maior parte de edições turísticas e brochuras informativas distribuidas a quem visita o Alentejo. Este facto dá, mais uma vez, razão ao parecer do Instituto de Museus e da conservação que dá pistas justamente indicando o Turismo do Alentejo como maior responsavel pelo fraco desenvolvimento do projecto CAT Museu de artesanato.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

MINISTRA DA CULTURA CONTRA "MUSEU DE ARTESANATO E DESIGN"


Gabriela Canavilhas favorável a "potenciação do actual projecto em detrimento de um novo em sua substituição"

Em resposta à interpelação do Bloco de Esquerda a Ministra da Cultura faz saber também que "a protecção do espólio do CAT é assegurada pela entidade a que está cometida a sua gestão" e não a colecionadores privados, e que "desconhece o projecto museológico" do design.

O MC também refere que para o actual Museu de Artesanato "espera que se possam concretizar melhorias e complementaridades em colaboração com os agentes envolvidos na promoção e desenvolvimento cultural da região Alentejo".

Em suma um valente puxão de orelhas ao Presidente do Turismo do Alentejo Ceia da Silva e ao Presidente da Câmara Municipal de Évora José Ernesto Oliveira. Quanto ao colecionador "icone do design mundial" e seu projecto, no MC nem sequer o conhecem.

Hoje, 21 de Outubro de 2010 o Museu de Artesanato continua de portas fechadas "por falta de pessoal" e o anúncio que prometia a reabertura para dia 25 foi retirado da porta... Relembramos que estava prometida para este mês a transformação de Museu de Artesanato em Museu de Design.

MINISTRA DA CULTURA CONTRA "MUSEU DE ARTESANATO E DESIGN"