Organizado pela Perpetuar Tradições e pelo grupo PRO ÉVORA
“CULTURA POPULAR E PRESERVAÇÃO DA MEMÓRIA”
Sede do Grupo PRO EVORA
Quinta feira 17 de Março de 2011
21h
Presenças já confirmadas
. Arqueólogo Cláudio Torres
.O Antropólogo Francisco Martins Ramos
. O Historiador Celso Mangucci
. A Directora do Departamento de história da Universidade de Évora Maria Antónia Conde
sábado, 5 de março de 2011
Acta da Comissão Municipal de Defesa do Património omissa há nove meses
Especula-se que alguns membros desta comissão poderiam manifestar sua indignação ameaçando renunciar, e que vereadora possa estar a tentar forçar assim demissão de seus membros.
A acta da ultima reunião da Comissão Municipal de Defesa do Património continua sem aparecer, vai para nove meses.
De facto na dita reunião consultiva desta Comissão, em junho passado, o projecto de acabar com o Museu de Artesanato para o substituir por Design - foi criticado "cerrada e impiedosamente" por todos os membros, à excepção da dita vereadora e do próprio "colecionador de design" que irá beneficiar do negócio.
Da responsabilidade do representante da Câmara Municipal de Évora, no caso a Srª vereadora da cultura Claudia Pereira, este documento ainda não parece ter conseguido ver a luz do dia e já se especula que esta possa ser uma intenção concertada. Não só para evitar mais polémica à volta do futuro Museu do Design Privado, como pela eventual intenção da Câmara de tentar substituir membros incómodos, daquela comissão, por outros mais cooperantes às intenções do executivo.
Questionada sobre a acta da reunião em causa a vereadora afirma que aquela "é de dificil elaboração por a reunião ter sido inconclusiva".
A acta da ultima reunião da Comissão Municipal de Defesa do Património continua sem aparecer, vai para nove meses.
De facto na dita reunião consultiva desta Comissão, em junho passado, o projecto de acabar com o Museu de Artesanato para o substituir por Design - foi criticado "cerrada e impiedosamente" por todos os membros, à excepção da dita vereadora e do próprio "colecionador de design" que irá beneficiar do negócio.
Da responsabilidade do representante da Câmara Municipal de Évora, no caso a Srª vereadora da cultura Claudia Pereira, este documento ainda não parece ter conseguido ver a luz do dia e já se especula que esta possa ser uma intenção concertada. Não só para evitar mais polémica à volta do futuro Museu do Design Privado, como pela eventual intenção da Câmara de tentar substituir membros incómodos, daquela comissão, por outros mais cooperantes às intenções do executivo.
Questionada sobre a acta da reunião em causa a vereadora afirma que aquela "é de dificil elaboração por a reunião ter sido inconclusiva".
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Turismo do Alentejo procura Técnico Superior em Turismo

Anuncio colocado na Bolsa do emprego público.
Volvido um mês desde o despedimento da Técnica superior em Turismo, que laborava há mais de nove anos no Museu de Artesanato de Évora e no Turismo do Alentejo, a Entidade Regional de Turismo do Alentejo vem agora colocar um anuncio em busca de técnico superior em turismo, aparentemente para as mesmas funções.
A semana passada Ceia da Silva, Presidente do Turismo do Alentejo, garantira a um Jornal que não se tratara de um despedimento mas sim de uma não renovação de contrato, por razões de contenção de despesas. Aparentemente esta noticia desmente o responsável.
Não sabemos, até ao momento, quantos candidatos já terão respondido a este anuncio nem se a própria funcionária despedida o terá feito, certamente em vantagem por nove anos de experiencia. Admitimos, no entanto, que esta experiencia possa não ir ao encontro de especificidades muito particulares que sejam exigidas para o cargo.
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Turismo do Alentejo paga jantares de "confraternização" a jornalistas.

Ceia da Silva, Presidente do Turismo do Alentejo, convidou recentemente os jornalistas para um "jantar de confraternização" cujo "dress code" proíbe "blocos, cadernos, canetas, lápis, computadores, gravadores, microfones ou qualquer outro aparelho que permita registo". A intenção é "conversar e reflectir" afirma, por ter recebido "da vossa parte a melhor das colaborações e empenho".
Faz apenas duas semanas que o Turismo do Alentejo despediu, por alegada falta de verba, a unica funcionária do Museu de Artesanato de Évora, uma técnica superior em turismo que laborava na instituição há mais de nove anos entre recibos verdes e contratos a prazo. Isto ocorre também quando esta entidade e a Câmara Municipal de Évora se preparam para contratar outra pessoa para o mesmo lugar, no futuro museu de design privado que abrirá no mesmo local onde o Turismo do Alentejo encerrou o Museu publico de Artesanato de Évora.
Este jantar pago pelo contribuinte terá lugar hoje em Évora no restaurante "O Moinho", pelas 19h30m, e necessitava de confirmação por telefone até dia 11.
Obtido via A Cinco Tons
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Reitor da Universidade de Évora desconhece projecto do museu de design

"A universidade de Évora não está envolvida, em qualquer forma, na criação do museu de artesanato e design" garantiu a uma delegação da Associação PERPETUAR TRADIÇÕES o Reitor Carlos Alberto Braumann, por ocasião de uma apresentação formal desta associação à universidade, no passado dia 20 de Janeiro. O Professor Catedrático afirmou ainda que, sugerir esse envolvimento "são declarações que responsabilizam quem as profere."
Este envolvimento está especificado textualmente no protocolo estabelecido entre a Câmara, o Turismo do Alentejo e o colecionador Paulo Parra (docente de Design na Universidade de Évora). De facto esta ligação não só é sugerida nestes documentos como se manifesta ainda intenção de "reforçar a qualidade do ensino e da investigação do design na Universidade de Évora, bem como do ensino e investigação do design noutras entidades nacionais e internacionais".
O Museu de artesanato e design tem abertura marcada para final da primavera. Para abrir este museu privado o Turismo do Alentejo e a Câmara Municipal de Évora encerraram o antigo Museu de artesanato de Évora - Centro de Artes Tradicionais, remodelado que foi há apenas dois anos com recurso a fundos europeus e que existia desde 1962.
domingo, 30 de janeiro de 2011
TURISMO DO ALENTEJO ENCERROU O CENTRO DE ARTES TRADICIONAIS E AGORA DESPEDE TÉCNICA RESPONSÁVEL
Comunicado
Enquanto em Lisboa as entidades competentes procuram dinamizar a recuperação do Museu de Arte Popular, testemunho e memória do artesanato de Portugal, em Évora a Entidade Regional de Turismo do Alentejo procura acelerar a liquidação do Centro de Artes Tradicionais, antigo Museu de Artesanato Regional.
A ERT Alentejo procedeu ao encerramento das instalações do Centro de Artes Tradicionais, sem uma palavra dirigida às entidades públicas, coleccionadores privados e aos artesãos que tinham emprestado peças de grande valor e qualidade para integrar a exposição permanente do C.A.T. .
Face às reacções, e nomeadamente à retirada de algumas peças, a ERT Alentejo escreveu então aos interessados pedindo que as deixassem ficar, recusando-lhes no entanto o conhecimento do projecto expositivo concreto em que viriam a ficar inseridas.
Agora, tratou de despedir a técnica responsável, que ao longo dos últimos anos se empenhou na concretização do projecto de reabertura do antigo Museu do Artesanato, e que a partir de Setembro de 2007 assegurou a sua animação e coordenação.
O despedimento desta técnica superior, com habilitações universitárias na área da museologia e anos de experiência prática de trabalho com os artesãos e o artesanato do Alentejo, é tanto mais chocante quanto o encerramento do antigo Museu do Artesanato se destina a dar espaço à instalação da colecção privada de design industrial do coleccionador Paulo Parra, a coberto do álibi de um pretenso “museu do artesanato e do design”, cujo projecto de execução continua a ser desconhecido das entidades competentes e do grande público.
A associação Perpetuar Tradições manifesta a sua repulsa por mais esta manifestação de desrespeito das normas mais elementares, a par das ilegalidades que marcam este processo, e sobretudo do desprezo pela arte popular que transparece na vontade de liquidar o Centro de Artes Tradicionais, contra a qual já se manifestaram várias entidades como a Direcção Regional da Cultura do Alentejo, o Instituto dos Museus e da Conservação, e o próprio Ministério da Cultura.
A Direcção
Perpetuar Tradições - Associação de defesa do artesanato do Alentejo
Enquanto em Lisboa as entidades competentes procuram dinamizar a recuperação do Museu de Arte Popular, testemunho e memória do artesanato de Portugal, em Évora a Entidade Regional de Turismo do Alentejo procura acelerar a liquidação do Centro de Artes Tradicionais, antigo Museu de Artesanato Regional.
A ERT Alentejo procedeu ao encerramento das instalações do Centro de Artes Tradicionais, sem uma palavra dirigida às entidades públicas, coleccionadores privados e aos artesãos que tinham emprestado peças de grande valor e qualidade para integrar a exposição permanente do C.A.T. .
Face às reacções, e nomeadamente à retirada de algumas peças, a ERT Alentejo escreveu então aos interessados pedindo que as deixassem ficar, recusando-lhes no entanto o conhecimento do projecto expositivo concreto em que viriam a ficar inseridas.
Agora, tratou de despedir a técnica responsável, que ao longo dos últimos anos se empenhou na concretização do projecto de reabertura do antigo Museu do Artesanato, e que a partir de Setembro de 2007 assegurou a sua animação e coordenação.
O despedimento desta técnica superior, com habilitações universitárias na área da museologia e anos de experiência prática de trabalho com os artesãos e o artesanato do Alentejo, é tanto mais chocante quanto o encerramento do antigo Museu do Artesanato se destina a dar espaço à instalação da colecção privada de design industrial do coleccionador Paulo Parra, a coberto do álibi de um pretenso “museu do artesanato e do design”, cujo projecto de execução continua a ser desconhecido das entidades competentes e do grande público.
A associação Perpetuar Tradições manifesta a sua repulsa por mais esta manifestação de desrespeito das normas mais elementares, a par das ilegalidades que marcam este processo, e sobretudo do desprezo pela arte popular que transparece na vontade de liquidar o Centro de Artes Tradicionais, contra a qual já se manifestaram várias entidades como a Direcção Regional da Cultura do Alentejo, o Instituto dos Museus e da Conservação, e o próprio Ministério da Cultura.
A Direcção
Perpetuar Tradições - Associação de defesa do artesanato do Alentejo
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
A única funcionária do Museu de Artesanato foi despedida.
Soubemos hoje que a única funcionária do CAT antigo museu de artesanato de Évora - uma técnica superior em turismo que fazia tudo desde lavar o chão a organizar exposições - foi despedida.
Esta funcionária, que laborava no Turismo há cerca de nove anos, entre recibos verdes e contratos a prazo, passou os últimos meses - desde o recente encerramento do espaço - sozinha dentro do museu encerrado e cumpre esta como a ultima semana de trabalho. Ceia da Silva considerou que o Turismo do Alentejo não tem verba para lhe pagar.
Entretanto as obras de transformação em museu de artesanato e design prosseguem e em breve, certamente, o Turismo do Alentejo e a Câmara Municipal de Évora contratarão os prometidos técnicos superiores em design e… turismo, para o novo museu privado. O lugar de Director já está assegurado para a companheira do próprio coleccionador: Inês Secca Ruivo.
Entretanto, Ceia da Silva também contactou alguns proprietários das peças de artesanato que estavam emprestadas ao anterior acervo do CAT, inquirindo do “interesse em manter-se essa cedência” (para o novo projecto) “que muito nos agradaria” não obstante e “caso prefira que as peças lhe sejam devolvidas agradecemos o contacto com os nossos serviços.”
Inquirido sobre detalhes desse novo projecto que já se chamou “Museu de Design Paulo Parra” e agora se chama “ Museu de Artesanato e Design” Ceia da Silva afirma que o mesmo “encontra-se em elaboração” muito embora as obras já tenham arrancado “não sendo público até que esteja executado”.
Esta funcionária, que laborava no Turismo há cerca de nove anos, entre recibos verdes e contratos a prazo, passou os últimos meses - desde o recente encerramento do espaço - sozinha dentro do museu encerrado e cumpre esta como a ultima semana de trabalho. Ceia da Silva considerou que o Turismo do Alentejo não tem verba para lhe pagar.
Entretanto as obras de transformação em museu de artesanato e design prosseguem e em breve, certamente, o Turismo do Alentejo e a Câmara Municipal de Évora contratarão os prometidos técnicos superiores em design e… turismo, para o novo museu privado. O lugar de Director já está assegurado para a companheira do próprio coleccionador: Inês Secca Ruivo.
Entretanto, Ceia da Silva também contactou alguns proprietários das peças de artesanato que estavam emprestadas ao anterior acervo do CAT, inquirindo do “interesse em manter-se essa cedência” (para o novo projecto) “que muito nos agradaria” não obstante e “caso prefira que as peças lhe sejam devolvidas agradecemos o contacto com os nossos serviços.”
Inquirido sobre detalhes desse novo projecto que já se chamou “Museu de Design Paulo Parra” e agora se chama “ Museu de Artesanato e Design” Ceia da Silva afirma que o mesmo “encontra-se em elaboração” muito embora as obras já tenham arrancado “não sendo público até que esteja executado”.
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Prémio: Ainda bem, senão é que estavamos tramados...
"Era meu colega na Universidade mas eu nem o conhecia..."
Claudia Pereira, vereadora da cultura da Câmara Municipal de Évora
in Radio Diana a 5 de Abril de 2010,
sobre a sua eventual relação com o colecionador privado de design.
Claudia Pereira, vereadora da cultura da Câmara Municipal de Évora
in Radio Diana a 5 de Abril de 2010,
sobre a sua eventual relação com o colecionador privado de design.
Prémio: O resto será o Génio da lâmpada...
"A Câmara vai apoiá-la (a proposta do Museu de design privado) com uma pequena intervenção inicial de execução interna, o transporte das peças, um funcionário e apoio logístico,(...) num prazo nunca superior a 10 anos."
Claudia Pereira, vereadora da cultura da Câmara Municipal de Évora
In Café Portugal 27 Dezembro 2010
Claudia Pereira, vereadora da cultura da Câmara Municipal de Évora
In Café Portugal 27 Dezembro 2010
Obrigações estabelecidas por protocolo
Segundo protocolo do putativo Museu de Artesanato e design entre a Câmara, o Turismo do Alentejo e o Colecionador
Obrigações da Câmara Municipal de Évora
Adaptação de espaço.
Mobiliário
Impressão de material de divulgação
Sustentabilidade económico financeira (durante dez anos)
Um funcionário
Despesas de seguro
Despesas de segurança activa
Despesas de segurança passiva
Apoio impressão de suportes de divulgação gráfica
Apoio impressão de suportes de divulgação digital
Apoio impressão de suportes de divulgação bilheteira
Apoio com equipa de montagem e desmontagem de exposições
Apoio técnico de processos de candidaturas financeiras
Água
Luz
Transportes
Divulgação em suportes da Câmara
Obrigações do Turismo do Alentejo
Obras
Mobiliário
Espaço
Equipamento
Pessoal técnico
Limpeza
Apoio técnico a processos de candidaturas
Divulgação electrónica
Divulgação gráfica
Renda do espaço ao estado
Obrigações do colecionador
Apoio à instalação da sua colecção
Cedência de equipamento
Custo de telecomunicações
Gestão da colecção
Gestão de 2 quadros superiores em design (não especifica quem os pagará)
Gestão dos fundos de aquisições (não especifica de onde serão provenientes estes)
Obrigações da Câmara Municipal de Évora
Adaptação de espaço.
Mobiliário
Impressão de material de divulgação
Sustentabilidade económico financeira (durante dez anos)
Um funcionário
Despesas de seguro
Despesas de segurança activa
Despesas de segurança passiva
Apoio impressão de suportes de divulgação gráfica
Apoio impressão de suportes de divulgação digital
Apoio impressão de suportes de divulgação bilheteira
Apoio com equipa de montagem e desmontagem de exposições
Apoio técnico de processos de candidaturas financeiras
Água
Luz
Transportes
Divulgação em suportes da Câmara
Obrigações do Turismo do Alentejo
Obras
Mobiliário
Espaço
Equipamento
Pessoal técnico
Limpeza
Apoio técnico a processos de candidaturas
Divulgação electrónica
Divulgação gráfica
Renda do espaço ao estado
Obrigações do colecionador
Apoio à instalação da sua colecção
Cedência de equipamento
Custo de telecomunicações
Gestão da colecção
Gestão de 2 quadros superiores em design (não especifica quem os pagará)
Gestão dos fundos de aquisições (não especifica de onde serão provenientes estes)
Prémio: Afinal talvez tenha sido ideia nossa lá na Câmara...
(Claudia Pereira vereadora da Câmara Municipal de Évora...) Adianta que o projecto museológico para o novo Museu chegou-lhe às mãos em Novembro de 2009, tendo, na altura, reunido com o Presidente da ERTA, Ceia da Silva, propondo aquele espaço do Celeiro Comum para a sua instalação.
In Café Portugal 27 Dezembro 2010
In Café Portugal 27 Dezembro 2010
Évora - Futuro do Centro de Artes Tradicionais continua envolto em polémica
Estava previsto abrir as portas no Outono de 2010. Mas o novo Museu do Design e do Artesanato - «Colecção Paulo Parra», situado no espaço onde até agora funcionava o Centro de Artes Tradicionais (CAT), no antigo celeiro comum, continua fechado, devido ao arrastamento do processo e ao atraso nas obras. Entretanto, surgem alegadas contradições denunciadas pela «Perpetuar Tradições», associação de defesa do artesanato do Alentejo. A autarquia de Évora responde às acusações, pela voz da vereadora da Cultura, Cláudia Pereira.
Ana Clara Café Portugal | segunda-feira, 27 de Dezembro de 2010
A polémica levantada pela «Perpetuar Tradições» surge na sequência das declarações da vereadora da cultura da Câmara de Évora (CME), Cláudia Pereira, à Antena 1 em Outubro passado, quando a edil afirmou que a ideia de transformar o Centro de Artes Tradicionais em Museu do Design não partiu do município mas da Entidade Regional de Turismo do Alentejo (ERTA) e do coleccionador, Paulo Parra.
Tiago Cabeça, membro daquela associação, considera que tais declarações são de «uma estranha leveza, pela irresponsabilidade política de quem deveria velar pelo bem público, patrimonial e cultural».
«Bastará um privado bater-lhe à porta e pedir um edifício público para o ter? Sem concurso público? Sem estudos ou razões de fundo que o justifiquem? Parece que existe na Sr.ª vereadora `a convicção` que Évora se tornará uma ´Capital internacional do design`. Chegará isso?», questiona o responsável.
E acrescenta que a vereadora da Cultura da CME «alegou não ter dinheiro para manter o Centro de Artes Tradicionais ,antigo Museu de artesanato de Évora, que existe desde 1962, e a que estava dedicada uma funcionária apenas, mas propõem-se sustentar o putativo museu de design privado com um rancho dependente de cerca de uma dezena de pessoas».
Tiago Cabeça afirma que, a ser verdade que a ERTA, «num primeiro momento, se aproximou da autarquia de Évora no sentido de pedir auxílio para manter e prosseguir o projecto do Centro de Artes Tradicionais, e a câmara liminarmente o recusou, mostraria que o desprezo pela nossa cultura, história e tradição, bem como pelo dinheiro dos contribuintes, parte justamente da Câmara».
E vai mais longe, deixando a dúvida no ar: «se a condição de manter aquele espaço passa pela aniquilação do projecto do artesanato e sua substituição pela colecção privada de design industrial do século XX, daquele coleccionador, coloca-se-nos a questão: porquê?».
Tiago Cabeça recorda ainda que este novo espaço terá entre outras despesas (garantidas pela Câmara) cerca de uma dezena de pessoas a trabalhar. «Dificilmente a CME, considerando as graves dificuldades económicas que têm vindo a público, terá capacidade de o sustentar», garante, lembrando que para garantir a sua «alegada auto-sustentabilidade, numa estimativa optimista, necessitaria de mais de seis ou sete milhares de visitantes por mês. Seria difícil».
«Sobretudo porque quem procura o Alentejo certamente não procura Design Industrial do século XX. Restaria ser o próprio coleccionador a manter esse batalhão de gente e custos», sugere.
Vereadora responde
O Café Portugal contactou a vereadora da Cultura da autarquia de Évora, Cláudia Pereira, no sentido de perceber o que de facto se passou. A autarca começa por explicar que o espaço do Celeiro Comum, como é conhecido o edifício onde estava o Centro de Artes Tradicionais e onde se propõe instalar o Museu do Design é da tutela da ERTA.
«O coleccionador Paulo Parra deu a conhecer a Évora, no espaço municipal da Igreja de S. Vicente, em Julho de 2009, parte da sua colecção. São estes os três vértices desta relação», diz.
Adianta que o projecto museológico para o novo Museu chegou-lhe às mãos em Novembro de 2009, tendo, na altura, reunido com o Presidente da ERTA, Ceia da Silva, propondo aquele espaço do Celeiro Comum para a sua instalação.
«Nesse mesmo espaço reuni, pela primeira vez, em Dezembro de 2009, com o coleccionador e esclareci qual a intervenção a ser feita bem como a articulação entre o espólio existente e o novo espólio. Tendo aceite a proposta, esta foi levada a duas instâncias: à Comissão de Arte, Arqueologia e Defesa do Património, com apresentação do projecto museológico pelo coleccionador, e cuja deliberação tem carácter consultivo, pode apenas dela ser porta-voz quem a preside, ou seja a vereadora da Cultura, e é utilizado como parecer pelo executivo da CME», explica.
Nos termos da lei, salienta, foi levada a reunião pública de Câmara, em forma de protocolo, onde foi aprovada: «a proposta é exterior à CME e optou a CME por considerá-la uma mais-valia para o Concelho e apoiá-la com uma pequena intervenção inicial de execução interna, o transporte das peças, um funcionário e apoio logístico, num compromisso que durará até que o Museu tenha auto-sustentabilidade e nunca num prazo superior a 10 anos, uma novidade em protocolos assinados no passado entre a CME e outras entidades».
Atrasos
Sobre os atrasos da abertura do Museu, previsto para o Outono deste ano, Cláudia Pereira admite que o processo se arrastou «devido à necessidade de haver autorizações e pareceres para se proceder à alteração pelo Turismo do Alentejo do uso daquele espaço». Além disso, «pelo facto de se necessitar de algumas obras por parte da ERTA o que tem procedimentos a cumprir, o espaço encontra-se ainda encerrado». «Só depois desta intervenção serão feitas as intervenções pela CME: transporte das peças e instalação das vitrines», realça.
A vereadora sustenta ainda que neste espaço, para além dos dois acervos – o do artesanato e do design industrial, «ambos caracterizados por produções em série que aliam a forma à função, com uma preocupação estética que os torna objectos dignos de serem expostos e apreciados» – o coleccionador privado investirá «naquilo que é o mais caro em qualquer parte do mundo: pessoas qualificadas para tirarem mais e melhor partido daqueles objectos; haverá também um espaço de biblioteca sobre artesanato e design industrial; planificam-se intercâmbios entre este e outros museus de artesanato e de design internacionais com circulação de espólios».
«Não só Évora e o Alentejo ficarão a conhecer e a dar a conhecer objectos congéneres aos que estarão expostos, como os objectos originais do Alentejo serão levados a outras partes do Mundo», refere.
Por fim, Cláudia Pereira recorda que «a riqueza da dinamização de um espaço é essa mesma, tal como o que é interessante na salvaguarda da atractividade das manifestações culturais, como são as peças de artesanato e os objectos de design industrial, para além do seu estudo “arqueológico”, que as insere no seu tempo de origem refazendo a sua “biografia”».
Contactado pelo Café Portugal, Ceia da Silva, presidente da ERTA, não quis falar sobre o assunto, alegando que «falará na altura própria» sobre a polémica.
Ana Clara Café Portugal | segunda-feira, 27 de Dezembro de 2010
A polémica levantada pela «Perpetuar Tradições» surge na sequência das declarações da vereadora da cultura da Câmara de Évora (CME), Cláudia Pereira, à Antena 1 em Outubro passado, quando a edil afirmou que a ideia de transformar o Centro de Artes Tradicionais em Museu do Design não partiu do município mas da Entidade Regional de Turismo do Alentejo (ERTA) e do coleccionador, Paulo Parra.
Tiago Cabeça, membro daquela associação, considera que tais declarações são de «uma estranha leveza, pela irresponsabilidade política de quem deveria velar pelo bem público, patrimonial e cultural».
«Bastará um privado bater-lhe à porta e pedir um edifício público para o ter? Sem concurso público? Sem estudos ou razões de fundo que o justifiquem? Parece que existe na Sr.ª vereadora `a convicção` que Évora se tornará uma ´Capital internacional do design`. Chegará isso?», questiona o responsável.
E acrescenta que a vereadora da Cultura da CME «alegou não ter dinheiro para manter o Centro de Artes Tradicionais ,antigo Museu de artesanato de Évora, que existe desde 1962, e a que estava dedicada uma funcionária apenas, mas propõem-se sustentar o putativo museu de design privado com um rancho dependente de cerca de uma dezena de pessoas».
Tiago Cabeça afirma que, a ser verdade que a ERTA, «num primeiro momento, se aproximou da autarquia de Évora no sentido de pedir auxílio para manter e prosseguir o projecto do Centro de Artes Tradicionais, e a câmara liminarmente o recusou, mostraria que o desprezo pela nossa cultura, história e tradição, bem como pelo dinheiro dos contribuintes, parte justamente da Câmara».
E vai mais longe, deixando a dúvida no ar: «se a condição de manter aquele espaço passa pela aniquilação do projecto do artesanato e sua substituição pela colecção privada de design industrial do século XX, daquele coleccionador, coloca-se-nos a questão: porquê?».
Tiago Cabeça recorda ainda que este novo espaço terá entre outras despesas (garantidas pela Câmara) cerca de uma dezena de pessoas a trabalhar. «Dificilmente a CME, considerando as graves dificuldades económicas que têm vindo a público, terá capacidade de o sustentar», garante, lembrando que para garantir a sua «alegada auto-sustentabilidade, numa estimativa optimista, necessitaria de mais de seis ou sete milhares de visitantes por mês. Seria difícil».
«Sobretudo porque quem procura o Alentejo certamente não procura Design Industrial do século XX. Restaria ser o próprio coleccionador a manter esse batalhão de gente e custos», sugere.
Vereadora responde
O Café Portugal contactou a vereadora da Cultura da autarquia de Évora, Cláudia Pereira, no sentido de perceber o que de facto se passou. A autarca começa por explicar que o espaço do Celeiro Comum, como é conhecido o edifício onde estava o Centro de Artes Tradicionais e onde se propõe instalar o Museu do Design é da tutela da ERTA.
«O coleccionador Paulo Parra deu a conhecer a Évora, no espaço municipal da Igreja de S. Vicente, em Julho de 2009, parte da sua colecção. São estes os três vértices desta relação», diz.
Adianta que o projecto museológico para o novo Museu chegou-lhe às mãos em Novembro de 2009, tendo, na altura, reunido com o Presidente da ERTA, Ceia da Silva, propondo aquele espaço do Celeiro Comum para a sua instalação.
«Nesse mesmo espaço reuni, pela primeira vez, em Dezembro de 2009, com o coleccionador e esclareci qual a intervenção a ser feita bem como a articulação entre o espólio existente e o novo espólio. Tendo aceite a proposta, esta foi levada a duas instâncias: à Comissão de Arte, Arqueologia e Defesa do Património, com apresentação do projecto museológico pelo coleccionador, e cuja deliberação tem carácter consultivo, pode apenas dela ser porta-voz quem a preside, ou seja a vereadora da Cultura, e é utilizado como parecer pelo executivo da CME», explica.
Nos termos da lei, salienta, foi levada a reunião pública de Câmara, em forma de protocolo, onde foi aprovada: «a proposta é exterior à CME e optou a CME por considerá-la uma mais-valia para o Concelho e apoiá-la com uma pequena intervenção inicial de execução interna, o transporte das peças, um funcionário e apoio logístico, num compromisso que durará até que o Museu tenha auto-sustentabilidade e nunca num prazo superior a 10 anos, uma novidade em protocolos assinados no passado entre a CME e outras entidades».
Atrasos
Sobre os atrasos da abertura do Museu, previsto para o Outono deste ano, Cláudia Pereira admite que o processo se arrastou «devido à necessidade de haver autorizações e pareceres para se proceder à alteração pelo Turismo do Alentejo do uso daquele espaço». Além disso, «pelo facto de se necessitar de algumas obras por parte da ERTA o que tem procedimentos a cumprir, o espaço encontra-se ainda encerrado». «Só depois desta intervenção serão feitas as intervenções pela CME: transporte das peças e instalação das vitrines», realça.
A vereadora sustenta ainda que neste espaço, para além dos dois acervos – o do artesanato e do design industrial, «ambos caracterizados por produções em série que aliam a forma à função, com uma preocupação estética que os torna objectos dignos de serem expostos e apreciados» – o coleccionador privado investirá «naquilo que é o mais caro em qualquer parte do mundo: pessoas qualificadas para tirarem mais e melhor partido daqueles objectos; haverá também um espaço de biblioteca sobre artesanato e design industrial; planificam-se intercâmbios entre este e outros museus de artesanato e de design internacionais com circulação de espólios».
«Não só Évora e o Alentejo ficarão a conhecer e a dar a conhecer objectos congéneres aos que estarão expostos, como os objectos originais do Alentejo serão levados a outras partes do Mundo», refere.
Por fim, Cláudia Pereira recorda que «a riqueza da dinamização de um espaço é essa mesma, tal como o que é interessante na salvaguarda da atractividade das manifestações culturais, como são as peças de artesanato e os objectos de design industrial, para além do seu estudo “arqueológico”, que as insere no seu tempo de origem refazendo a sua “biografia”».
Contactado pelo Café Portugal, Ceia da Silva, presidente da ERTA, não quis falar sobre o assunto, alegando que «falará na altura própria» sobre a polémica.
segunda-feira, 20 de dezembro de 2010
"Durmo perfeitamente à noite com esta decisão"
Claudia Pereira vereadora da Câmara Municipal de Évora em entrevista à Radio Diana em 5 Abril 2010
Edição de imagens do CAT Museu de Artesanato por Miguel Sampaio
Edição de imagens do CAT Museu de Artesanato por Miguel Sampaio
sábado, 18 de dezembro de 2010
O mistério adensa-se
"Esta ideia (de transformar o museu publico de artesanato de Évora em museu de design privado) não partiu da Câmara Municipal de Évora, partiu do Turismo do Alentejo e do colecionador" ...
Claudia Pereira
Vereadora da cultura da Câmara Municipal de Évora em entrevista à Antena 1, 26 Outubro 2010
Diz-nos um passarinho, que esvoaçou próximo do Turismo do Alentejo, que de facto, num primeiro momento, esta entidade pediu ajuda à Câmara municipal de Évora para manter o Centro de Artes Tradicionais antigo Museu de Artesanato, mas a Câmara terá recusado. Só mais tarde, aparentemente, a autarquia teria reconsiderado colocando, no entanto, a condição: ou é Paulo Parra e Museu de Design, ou não é nada.
Será verdade?... E a ser quem gostará mais de design industrial do século XX?... O senhor Presidente da Câmara? A senhora vereadora da cultura?...
Como em todas as boas estórias de detectives cá ficaremos a aguardar os próximos capitulos...
Claudia Pereira
Vereadora da cultura da Câmara Municipal de Évora em entrevista à Antena 1, 26 Outubro 2010
Diz-nos um passarinho, que esvoaçou próximo do Turismo do Alentejo, que de facto, num primeiro momento, esta entidade pediu ajuda à Câmara municipal de Évora para manter o Centro de Artes Tradicionais antigo Museu de Artesanato, mas a Câmara terá recusado. Só mais tarde, aparentemente, a autarquia teria reconsiderado colocando, no entanto, a condição: ou é Paulo Parra e Museu de Design, ou não é nada.
Será verdade?... E a ser quem gostará mais de design industrial do século XX?... O senhor Presidente da Câmara? A senhora vereadora da cultura?...
Como em todas as boas estórias de detectives cá ficaremos a aguardar os próximos capitulos...
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
domingo, 12 de dezembro de 2010
Prémio: faz como eu digo não faças como eu faço
"O que hoje se pede é a diferença, o que é distinto e único, aquela riqueza que faz do território algo raro.
Alentejo, turismo e identidade"
Ceia da Silva - Presidente do Turismo do Alentejo
2 semanas depois de encerrar o Museu Público de Artesanato de Évora para no lugar fazer um Museu Privado de Design Industrial, a pagar pelo contribuinte.
in Público 12 de Dezembro de 2010
Alentejo, turismo e identidade"
Ceia da Silva - Presidente do Turismo do Alentejo
2 semanas depois de encerrar o Museu Público de Artesanato de Évora para no lugar fazer um Museu Privado de Design Industrial, a pagar pelo contribuinte.
in Público 12 de Dezembro de 2010
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Embaixada da solidariedade à reabertura do Museu de Arte Popular em Lisboa
Segunda feira 13 de Dezembro
18h
MUSEU DE ARTE POPULAR - Lisboa
Caros amigos
Reabre na próxima segunda feira dia 13 às 18h o MUSEU DE ARTE POPULAR em Lisboa, que esteve encerrado para, num processo semelhante ao do nosso CAT, vir a ser convertido noutro espaço.
Foi justamente um movimento de cidadãos que conseguiu impedir esse encerramento e segunda feira, com a presença da Ministra Gabriela Canavilhas, o Museu de Arte Popular reabre ao público.
Nesse sentido estamos a organizar uma “Embaixada de solidariedade” por parte da Perpetuar Tradições e do Centro de Artes Tradicionais antigo Museu de Artesanato de Évora à reabertura do Museu de Arte Popular. Vamos partilhar a nossa experiencia e conhecer a experiencia de outros. Vamos continuar a denunciar este verdadeiro crime.
Deixamos o convite a quem queira integrar esta embaixada connosco.
Informamos também que continuamos os nossos esforços, em várias frentes, para denunciar e tentar impedir o encerramento do CAT Antigo Museu de Artesanato de Évora
A Direcção:
Tiago Cabeça
Carmelo Aires
Andrade Santos
Miguel Sampaio
Celso Mangucci
18h
MUSEU DE ARTE POPULAR - Lisboa
Caros amigos
Reabre na próxima segunda feira dia 13 às 18h o MUSEU DE ARTE POPULAR em Lisboa, que esteve encerrado para, num processo semelhante ao do nosso CAT, vir a ser convertido noutro espaço.
Foi justamente um movimento de cidadãos que conseguiu impedir esse encerramento e segunda feira, com a presença da Ministra Gabriela Canavilhas, o Museu de Arte Popular reabre ao público.
Nesse sentido estamos a organizar uma “Embaixada de solidariedade” por parte da Perpetuar Tradições e do Centro de Artes Tradicionais antigo Museu de Artesanato de Évora à reabertura do Museu de Arte Popular. Vamos partilhar a nossa experiencia e conhecer a experiencia de outros. Vamos continuar a denunciar este verdadeiro crime.
Deixamos o convite a quem queira integrar esta embaixada connosco.
Informamos também que continuamos os nossos esforços, em várias frentes, para denunciar e tentar impedir o encerramento do CAT Antigo Museu de Artesanato de Évora
A Direcção:
Tiago Cabeça
Carmelo Aires
Andrade Santos
Miguel Sampaio
Celso Mangucci
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Comissão Coordenação Região Alentejo não recebe emails da Perpetuar Tradições
Desde o passado dia 26 de Novembro que a Comissão Coordenação da Região Alentejo (CCDRA) aparentemente não recebe correio electronico da Perpetuar Tradições associação de defesa do Artesanato do Alentejo.
Os membros desta associação já se viram obrigados a encaminhar correspondencia - relativa ao Centro de Artes Tradicionais, antigo Museu de Artesanato de Évora - pela tradicional via postal, registado e com aviso de recepção, pois todas as missivas sobre este assunto, dirigidas ao Presidente daquela entidade João de Deus Cabral Cordovil aparentemente nunca lhe chegavam, fossem para os endereços institucionais fossem para os pessoais do seu secretariado.
Relembramos que a CCDRA é a entidade que tem por obrigação regular e fiscalizar subsidios europeus utilizados no Alentejo, justamente como os que foram utilizados, há apenas dois anos, na recuperação do Centro de Artes Tradicionais, Antigo Museu de Artesanato de Évora, encerrado há 2 semanas para ser convertido em Museu de Design de um privado.
Os membros desta associação já se viram obrigados a encaminhar correspondencia - relativa ao Centro de Artes Tradicionais, antigo Museu de Artesanato de Évora - pela tradicional via postal, registado e com aviso de recepção, pois todas as missivas sobre este assunto, dirigidas ao Presidente daquela entidade João de Deus Cabral Cordovil aparentemente nunca lhe chegavam, fossem para os endereços institucionais fossem para os pessoais do seu secretariado.
Relembramos que a CCDRA é a entidade que tem por obrigação regular e fiscalizar subsidios europeus utilizados no Alentejo, justamente como os que foram utilizados, há apenas dois anos, na recuperação do Centro de Artes Tradicionais, Antigo Museu de Artesanato de Évora, encerrado há 2 semanas para ser convertido em Museu de Design de um privado.
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
O ARTESANATO, A MEMÓRIA E A FELICIDADE (3)
Por Francisco Martins Ramos
Como se sabe, o artesanato enriquece a oferta turística, mediatiza o contacto de culturas, cria postos de trabalho, ocupa os mais velhos, gera riqueza e alimenta a dinâmica da mudança, colocando em saudável confronto o passado e o presente.
Os artefactos são um produto que se inscreve naquilo que se entendeu denominar por turismo cultural, embora todo o turismo seja cultural. De facto, os produtos culturais e as atracções desempenham um importante papel turístico a vários níveis, desde a divulgação global da cultura, às acções que enfatizam as identidades locais (Mbaiwa 2004). Na realidade, o conceito totalizante de cultura compreende o que as pessoas sabem e pensam (conhecimentos culturais), como as pessoas se comportam e reagem (comportamentos culturais) e o que as pessoas fazem e manufacturam (artefactos culturais).
O turismo cultural é uma modalidade que se centra, justamente, nos recursos culturais. Ora, os recursos culturais não se limitam aos monumentos, às comunidades e sítios, ao património construído ou aos mitos e lendas. Dizem respeito também aos estilos de vida, às práticas habituais e às actividades passadas e às recentes que sobreviveram e se adaptaram.
O “empowerment” dos produtores de artesanato através da salvaguarda das técnicas tradicionais, da adaptação de técnicas inovadoras (principalmente as que aliviem o esforço físico dos artesão), do empreendedorismo e da utilização de práticas de boa gestão são mecanismos que contribuem seguramente para o sucesso económico do turismo cultural. Trata-se efectivamente de, pela via da cultura, chegarmos à economia.
Aquando da inauguração do Centro de Artes Tradicionais - Museu do Artesanato, em Évora, afirmei que tal projecto demonstrava a riqueza caleidoscópica do artesanato alentejano. Iniciativa de qualidade total, aquele momento marcou um episódio histórico para o enriquecimento da oferta turística eborense e alentejana. A batalha sinuosa que foi necessário travar para a concretização daquela obra só nos pode dar satisfação porque foi uma batalha vencida.
Espaço cultural por excelência, aquele museu corporizou o casamento entre a tradição e a inovação tecnológica, numa afirmação contemporâneo dos mais avançados instrumentos museológicos. O Museu do Artesanato de Évora é, como foi dito na sua inauguração, “a devolução à cidade e ao Alentejo” duma parte do seu património.
Invadir o território de um museu temático existente, descaracterizar uma realidade coerente na sua afirmação sócio-cultural, histórica e identitária, amputar um espaço artesanal por interesses de conveniência, misturar traços culturais com afirmações de modernidades de natureza diversa e antagónica é um crime de lesa-cultura, uma afronta ao legado que nos foi deixado e uma armadilha envenenada à idiossincrasia alentejana. Apetece recordar Sophia: “Eles sabem muito e não percebem nada”.
Parafraseando mais uma vez Sommier (1984), posso concluir afirmando que o artesanato é como a felicidade - só no momento em que desaparece é que damos conta do seu valor. Para aquele artesanato que não resiste ao progresso da sociedade, nada melhor do que mantê-lo preservado, protegido e higienizado pela dignidade museológica de origem.
Bibliografia
MBAIWA, Joseph
2004 “Prospects of Basket Production in Promoting Sustainable
Rural Liveliwoods in the Okavango Delta, Botswana”, International Journal of Tourism Research 6: 221-235
RAMOS, Francisco Martins
2007 Breviário Alentejano, Vale de Cambra: Caleidoscópio
SOMMIER, Gilbert
1984 Presente y Futuro de las Artesanías en la Sociedad
Industrial, Madrid: Ministerio de Industria y Energia
Como se sabe, o artesanato enriquece a oferta turística, mediatiza o contacto de culturas, cria postos de trabalho, ocupa os mais velhos, gera riqueza e alimenta a dinâmica da mudança, colocando em saudável confronto o passado e o presente.
Os artefactos são um produto que se inscreve naquilo que se entendeu denominar por turismo cultural, embora todo o turismo seja cultural. De facto, os produtos culturais e as atracções desempenham um importante papel turístico a vários níveis, desde a divulgação global da cultura, às acções que enfatizam as identidades locais (Mbaiwa 2004). Na realidade, o conceito totalizante de cultura compreende o que as pessoas sabem e pensam (conhecimentos culturais), como as pessoas se comportam e reagem (comportamentos culturais) e o que as pessoas fazem e manufacturam (artefactos culturais).
O turismo cultural é uma modalidade que se centra, justamente, nos recursos culturais. Ora, os recursos culturais não se limitam aos monumentos, às comunidades e sítios, ao património construído ou aos mitos e lendas. Dizem respeito também aos estilos de vida, às práticas habituais e às actividades passadas e às recentes que sobreviveram e se adaptaram.
O “empowerment” dos produtores de artesanato através da salvaguarda das técnicas tradicionais, da adaptação de técnicas inovadoras (principalmente as que aliviem o esforço físico dos artesão), do empreendedorismo e da utilização de práticas de boa gestão são mecanismos que contribuem seguramente para o sucesso económico do turismo cultural. Trata-se efectivamente de, pela via da cultura, chegarmos à economia.
Aquando da inauguração do Centro de Artes Tradicionais - Museu do Artesanato, em Évora, afirmei que tal projecto demonstrava a riqueza caleidoscópica do artesanato alentejano. Iniciativa de qualidade total, aquele momento marcou um episódio histórico para o enriquecimento da oferta turística eborense e alentejana. A batalha sinuosa que foi necessário travar para a concretização daquela obra só nos pode dar satisfação porque foi uma batalha vencida.
Espaço cultural por excelência, aquele museu corporizou o casamento entre a tradição e a inovação tecnológica, numa afirmação contemporâneo dos mais avançados instrumentos museológicos. O Museu do Artesanato de Évora é, como foi dito na sua inauguração, “a devolução à cidade e ao Alentejo” duma parte do seu património.
Invadir o território de um museu temático existente, descaracterizar uma realidade coerente na sua afirmação sócio-cultural, histórica e identitária, amputar um espaço artesanal por interesses de conveniência, misturar traços culturais com afirmações de modernidades de natureza diversa e antagónica é um crime de lesa-cultura, uma afronta ao legado que nos foi deixado e uma armadilha envenenada à idiossincrasia alentejana. Apetece recordar Sophia: “Eles sabem muito e não percebem nada”.
Parafraseando mais uma vez Sommier (1984), posso concluir afirmando que o artesanato é como a felicidade - só no momento em que desaparece é que damos conta do seu valor. Para aquele artesanato que não resiste ao progresso da sociedade, nada melhor do que mantê-lo preservado, protegido e higienizado pela dignidade museológica de origem.
Bibliografia
MBAIWA, Joseph
2004 “Prospects of Basket Production in Promoting Sustainable
Rural Liveliwoods in the Okavango Delta, Botswana”, International Journal of Tourism Research 6: 221-235
RAMOS, Francisco Martins
2007 Breviário Alentejano, Vale de Cambra: Caleidoscópio
SOMMIER, Gilbert
1984 Presente y Futuro de las Artesanías en la Sociedad
Industrial, Madrid: Ministerio de Industria y Energia
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
O ARTESANATO, A MEMÓRIA E A FELICIDADE (2)
Por Francisco Martins Ramos
O artesão alentejano (que é o que nos interessa, de momento) afirma-se embrionariamente e potencia-se no longo período medieval e tem a sua época de ouro a partir do Renascimento. Um pouco como aconteceu por toda a Europa. Os trabalhos artesanais e de manufactura doméstica, actividade acessória da agricultura, que em si mesma constitui a base do processo, condicionam o modo de produção em que assenta, quer na Antiguidade, quer na Idade Média europeia, a economia natural.
Assim, a nível económico, a actividade artesanal permitia e permite a reunião de factores de produção num mesmo agente económico independente e fomentava a pluriactividade; ao nível técnico destaca-se a possibilidade de execução pelo mesmo indivíduo de operações que integram a totalidade ou a maioria do processo produtivo; a nível artístico permite a expressão de sentimentos estéticos, de origem essencialmente popular, mas também erudita; a nível intelectual, o artefacto consubstancia e reflecte o predomínio de factores psicológicos sobre os factores mecânicos, no processo da manufactura e produção.
A situação actual da actividade artesanal é diversa: de modo geral podemos afirmar que os ofícios artesanais colaboradores ou complementares da indústria (metais, electricidade, mecânica), não enfrentarão tão cedo problemas de sobrevivência; outras tarefas artesanais encontram-se numa posição intermédia, dependendo da oscilação do poder de compra e do nível de vida das populações. Encontram-se nesta situação os artífices da área da alimentação, dos serviços, da construção e os ofícios que dependem das modas e até de posicionamentos ecológicos (os chamados neo-artesãos de extracção urbana, mas de horizontes rurais). Finalmente, existem actividades artesanais que vão fatalmente desaparecer ou que já se extinguiram silenciosamente.
É neste sentido que a musealização dos artefactos desaparecidos ou em vias de extinção desempenha um papel crucial na salvaguarda da memória colectiva, na transmissão dos saberes tradicionais às novas gerações e na compreensão do passado, recente ou distante. Os designados Museus Rurais, Museus do Artesanato, Museus Agrícolas, Museus de Aldeia, Museus Etnográficos, etc., aí estão a atestar e a legitimar as raízes locais e regionais, os estilos de vida dos quotidianos da autenticidade vivida, dolorosamente marcada, nuns casos, e eleita como referência identitária, noutros.
Entretanto, é bom não esquecer que muitas das práticas artesanais são caracterizadas por grande fragilidade e vulnerabilidade; pertencem a sectores marginais da vida económica; enfrentam dificuldades na obtenção de créditos; possuem dimensões reduzidas e, last but not the least, as necessidades às quais correspondiam muitos ofícios artesanais desapareceram ou definham. Os exemplos proliferam, nomeadamente os ligados ao sector primário e ao mundo da ruralidade: cardadores, ferreiros e ferradores, alfaiates e modistas, latoeiros, padeiras e forneiros, almocreves, cesteiras, taberneiros, amola-tesouras, carreiros, bordadeiras, sapateiros, abegões, funileiros, chocalheiros, cadeireiros, etc.
É certo que a procura das raízes artesanais e as inúmeras iniciativas em acção procuram camuflar suavemente situações de desemprego. Mas ao mesmo tempo, e acima de tudo, a solução artesanal é, justamente, uma procura do tempo perdido e um regresso às origens. Num mundo de mudanças tecnológicas crescentes, num universo de velocidades, stress e ritmo acelerado, o recurso à obra artesanal é o retomo do homem às formas mais puras e naturais da estética popular, é o encantamento das coisas simples e utilitárias, é o prazer da ligação do artista com o produto do seu trabalho, que se pode sintetizar na expressão "o artefacto é obra do artífice". Num mundo de mudanças também sociais, o recurso à obra artesanal é o retorno do Homem às formas mais singelas de arte, é a procura da autenticidade perdida, é a aventura da descoberta sentimental da cumplicidade do artesão com o produto do seu trabalho. A globalização, a que gera uniformidades, provoca certamente a homogeneidade cultural que desejamos evitar, salvaguardando aquilo com que nos identificamos há gerações.
Bibliografia
RAMOS, Francisco Martins
2007 Breviário Alentejano, Vale de Cambra: Caleidoscópio
SOMMIER, Gilbert
1984 Presente y Futuro de las Artesanías en la Sociedad Industrial, Madrid:
Ministerio de Industria y Energia
O artesão alentejano (que é o que nos interessa, de momento) afirma-se embrionariamente e potencia-se no longo período medieval e tem a sua época de ouro a partir do Renascimento. Um pouco como aconteceu por toda a Europa. Os trabalhos artesanais e de manufactura doméstica, actividade acessória da agricultura, que em si mesma constitui a base do processo, condicionam o modo de produção em que assenta, quer na Antiguidade, quer na Idade Média europeia, a economia natural.
Assim, a nível económico, a actividade artesanal permitia e permite a reunião de factores de produção num mesmo agente económico independente e fomentava a pluriactividade; ao nível técnico destaca-se a possibilidade de execução pelo mesmo indivíduo de operações que integram a totalidade ou a maioria do processo produtivo; a nível artístico permite a expressão de sentimentos estéticos, de origem essencialmente popular, mas também erudita; a nível intelectual, o artefacto consubstancia e reflecte o predomínio de factores psicológicos sobre os factores mecânicos, no processo da manufactura e produção.
A situação actual da actividade artesanal é diversa: de modo geral podemos afirmar que os ofícios artesanais colaboradores ou complementares da indústria (metais, electricidade, mecânica), não enfrentarão tão cedo problemas de sobrevivência; outras tarefas artesanais encontram-se numa posição intermédia, dependendo da oscilação do poder de compra e do nível de vida das populações. Encontram-se nesta situação os artífices da área da alimentação, dos serviços, da construção e os ofícios que dependem das modas e até de posicionamentos ecológicos (os chamados neo-artesãos de extracção urbana, mas de horizontes rurais). Finalmente, existem actividades artesanais que vão fatalmente desaparecer ou que já se extinguiram silenciosamente.
É neste sentido que a musealização dos artefactos desaparecidos ou em vias de extinção desempenha um papel crucial na salvaguarda da memória colectiva, na transmissão dos saberes tradicionais às novas gerações e na compreensão do passado, recente ou distante. Os designados Museus Rurais, Museus do Artesanato, Museus Agrícolas, Museus de Aldeia, Museus Etnográficos, etc., aí estão a atestar e a legitimar as raízes locais e regionais, os estilos de vida dos quotidianos da autenticidade vivida, dolorosamente marcada, nuns casos, e eleita como referência identitária, noutros.
Entretanto, é bom não esquecer que muitas das práticas artesanais são caracterizadas por grande fragilidade e vulnerabilidade; pertencem a sectores marginais da vida económica; enfrentam dificuldades na obtenção de créditos; possuem dimensões reduzidas e, last but not the least, as necessidades às quais correspondiam muitos ofícios artesanais desapareceram ou definham. Os exemplos proliferam, nomeadamente os ligados ao sector primário e ao mundo da ruralidade: cardadores, ferreiros e ferradores, alfaiates e modistas, latoeiros, padeiras e forneiros, almocreves, cesteiras, taberneiros, amola-tesouras, carreiros, bordadeiras, sapateiros, abegões, funileiros, chocalheiros, cadeireiros, etc.
É certo que a procura das raízes artesanais e as inúmeras iniciativas em acção procuram camuflar suavemente situações de desemprego. Mas ao mesmo tempo, e acima de tudo, a solução artesanal é, justamente, uma procura do tempo perdido e um regresso às origens. Num mundo de mudanças tecnológicas crescentes, num universo de velocidades, stress e ritmo acelerado, o recurso à obra artesanal é o retomo do homem às formas mais puras e naturais da estética popular, é o encantamento das coisas simples e utilitárias, é o prazer da ligação do artista com o produto do seu trabalho, que se pode sintetizar na expressão "o artefacto é obra do artífice". Num mundo de mudanças também sociais, o recurso à obra artesanal é o retorno do Homem às formas mais singelas de arte, é a procura da autenticidade perdida, é a aventura da descoberta sentimental da cumplicidade do artesão com o produto do seu trabalho. A globalização, a que gera uniformidades, provoca certamente a homogeneidade cultural que desejamos evitar, salvaguardando aquilo com que nos identificamos há gerações.
Bibliografia
RAMOS, Francisco Martins
2007 Breviário Alentejano, Vale de Cambra: Caleidoscópio
SOMMIER, Gilbert
1984 Presente y Futuro de las Artesanías en la Sociedad Industrial, Madrid:
Ministerio de Industria y Energia
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